TALVEZ AS ÚLTIMAS LINHAS

Não condeno quem, assim como eu, acreditou. Também não acho idiota quem, da mesma forma, perdeu incontáveis minutos de folga pra torcer, vibrar, se estressar, se frustrar.

Mas o conjunto da obra, por mais otimistas que fôssemos, indicava o fracasso.

Escrevi sobre isso no 4×5 contra o sofrível Fluminense em casa. Infelizmente, aquele texto que revelava as verdades subsequentes acabou se perdendo. Que pena. Hoje só tenho meu testemunho a meu favor.

Renato não quer mais. Brigar com os fatos é utopia.
Amo o Grêmio mais do que tudo, e só por isso critico tanto o senhor Renato Portaluppi.

Dias atrás falei que o Flamengo possui um grande elenco, mas não um time. Fui apedrejado. O que tentei dizer é que está sobrevivendo de suas individualidades.

Possui disparadamente o melhor elenco das Américas. E mesmo assim, precisou expelir a tripa da caverna médio-posterior pra vencer o limitado River, e com duas miseráveis entregadas do adversário.

Venceu o Brasileirão porque seus únicos rivais (Palmeiras e Grêmio) passaram pela mesma constrangedora situação: possuem bons elencos e não têm um time. Com uma diferença: pouparam, pouparam…e se perderam. Fui alvo de chacotas ao falar isso.

Tanto faz. Na minha visão, TIME é composto por organização tática, jogadas ensaiadas, entrosamento, capacidade de improviso de um conjunto, espírito combativo.

O Flamengo se aproximou um pouco disso, mas venceu Brasileiro e Libertadores por suas individualidades, e pela limitação dos adversários.

Chegou às quartas de final com pênalti inexistente. Gemeu pra passar pelo binter e nos eliminou porque jogamos duas partidas de semifinal com 7 contra 11. Nem sempre é Batalha dos Aflitos.

Bruno Henrique e Gabriel são os dois melhores jogadores do país, juntamente com Éverton Cebolinha. A defesa é composta por quatro jogadores que vieram da Europa e um frequente convocado pela seleção.

O meio-campo possui o melhor segundo volante brasileiro em atividade, Gerson, esse sim um mérito do Portuga. Assim como foi Andershow nas mãos de Sir Alex Ferguson. E que agora é um senhor aposentado, mais jovem do que eu que me considero jovem.

Enquanto escrevia isso, que muitos considerarão loucura, Renato concedia mais uma coletiva. Mais do mesmo, com algumas outras palavras, a mesma maestria pra criar fatos novos e ludibriar quem ainda acredita no improvável.

Eu tentei, fiz o melhor que pude ao longo de 2019, mas não dá mais. Sempre que tentei defendê-lo, os fatos me provaram o contrário. Quando falei as verdades, fui censurado e/ou atacado.

Dessa forma, com a consciência de que minha falta não será sentida, deixo aqui o que talvez sejam minhas últimas linhas. Entendo perfeitamente a passionalidade do torcedor, e quero de coração que tudo sempre se desenhe de forma favorável ao clube que tanto amamos.

Ignorar a verdade e tripudiar no que não convém vai na contramão dos princípios que meus antepassados me passaram. E se cada um deles, que viveram os momentos áureos do Imortal, pudessem estar aqui pra testemunhar a realidade, tenho certeza de que a maior parte dessa responsabilidade iria pra conta do moço da estátua.

Talvez essas sejam as últimas linhas de minha parte. Abraços e até a próxima “vaga na Libertadores”.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

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