O JOGO QUE TALVEZ SÓ EU VI

Não foi o resultado esperado, e mesmo assim não nos podemos queixar dele. Não conseguimos nos impor novamente em uma noite que, apesar de chuvosa, apresentou casa abarrotada. Vou deixar as análises para os analistas. Ganham bem pra isso, e provavelmente são mais inteligentes do que eu. Vou falar do jogo que eu vi.

Paulo Victor não é mau goleiro. Mas é o típico segurança de cabaré. Quando a confusão começa, sobe a adrenalina, a exaltação natural vem e o instinto é de pedir “calma” a quem está mais calmo do que ele próprio.
A defesa, fazendo um contraponto aos críticos, não foi o ponto fraco. Mesmo Galhardo, o mais execrado, teve que marcar o tanque Bruno Henrique, que além de maior, melhor tecnicamente e mais forte, é o típico “já cheguei até aqui, o que vier é lucro”. Joga uma final como joga uma pelada beneficente. Pra ele, o amanhã é o menos importante. E confesso que o invejo um pouco por isso.

O que de fato foi engolido foi nosso mais elogiado setor: o meio-campo. Paradoxalmente, o Flamengo sequer jogou por ali. Pelo contrário, explorou ao máximo as nossas laterais, pela qualidade dos apoiadores no setor, e pela falta de intensidade de Alisson e Éverton na cobertura. Basta ver que no gol do Fla que valeu, Alisson está próximo ao meio do campo, quase parado. Michel esteve muito abaixo, e não fosse pela análise precisa do melhor árbitro das Américas, teria sido expulso. Matheusinho não foi o mesmo de outras partidas, e coube a Luan protagonizar armação e recomposição. Jogou, e não deixou Arão jogar. Suficiente? Pra ele, Luan, sim. Pra estrutura de jogo, não. Aí entra Renato.

Renato teve seus deméritos também. Arão não precisava de marcação. Michel deveria ter saído assim que tomou o amarelo. Estava nervoso e desorientado. Maicon, por pior que estivesse, aguentaria 45 minutos de um jogo decisivo. Pepê deveria ter entrado no intervalo. Aliás, tenho prints de um grupo que administro implorando Pepê no time, muito antes do Flamengo fazer o 1×0. Renato lançou mão dessa arma quando o exército inimigo já recolhia suas trouxas pra retornar à base. O gol do menino Pepê foi importante em termos de escore. Mas não pode maquiar algumas questões. Não vou citar a entrada do André. Quando lembrei do fato tive uma mini-taquicardia-colérica. Então não vou me estender.

O jogo de volta é só no final do mês. Teremos time quase completo, em condições de encarar em melhores lençóis esse Flamengo, tão bajulado pela mídia, mas que não chega a ser convincente como é o melhor Grêmio possível. O jogo de ida, ao contrário do que causou a uma grande fatia de aficionados, a mim deixou esperançoso. Mesmo fazendo a pior partida do ano, conseguiu um empate. Quem conhece a metodologia de Jorge Jesus sabe que ele não senta em resultado. Atacará o Grêmio em casa. Precisamos de um gol de todo modo, então esse medo de levar não deverá estar presente dessa vez.

Abri a quinta-feira com a alma leve, serena. Talvez só eu, na Nárnia de um torcedor que mais apoia do que critica, esteja se sentindo assim. Quem sabe só eu tenha visto esse jogo. Pouco importa. O Grêmio está acostumado a calar grandes templos do futebol. E dessa vez, o Maracanã de duas Finais de Copa do Mundo é o ponto de carimbo. O passaporte à final depende de uma assinatura. Ah, e quem jogou a toalha não precisa aparecer no calçadão pra festejar depois. Torcedores de resultado podem até ter algum mérito. Mas nunca poderão encher a boca pra dizer “eu jamais duvidei do Grêmio!”

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: