NUNCA DUVIDE DO GRÊMIO: EU ACREDITO!

A infelicidade da rodada na última quarta-feira, da qual saímos derrotados pelo Bahia (recomendo que ouçam os podcasts do Recolhendo os Trapos de 16/10 e do Sala do Hospício de 17/10 para as análises da partida), deu muito pano para manga, com algumas pessoas em franco processo de decomposição mental ao propalarem as bobagens da IVI, repetindo tal e qual caturritas com neurônios defeituosos, as sandices que os próceres IVISTAS andaram dizendo como algo irrecuperável. A terra arrasada foi a tônica no RS na quinta-feira. E isso é de uma idiotice sem par.  

                        A bem da verdade, não começou quarta, mas, sim, logo após o jogo de ida na Arena, dia 2/10, em que empatamos. Todos esperávamos a vitória, todos esperávamos uma atuação melhor do Tricolor e, na verdade, pelo que aconteceu em campo, o empate foi um excelente resultado.

                        No entanto, desde aquela noite, repetem-se incontáveis vezes as vozes da desgraça, as harpias ensandecidas que preveem uma derrota certa no Rio de Janeiro na próxima quarta-feira. Isso é desconhecer o futebol, é menosprezar nossa garra tricolor e a imortalidade intrínseca que habita nossas almas gremistas. Temos exemplos inúmeros (incluindo nesta própria edição da Libertadores) de superação, ocasiões nas quais, a despeito de tudo e de todos, ultrapassamos as adversidades.  Como eu costumo tratar da história do Grêmio (do ou sobre), achei interessante trazer à luz casos concretos contra esse mesmo Flamengo.

                        O Grêmio já mostrou diversas vezes que consegue superar-se em diversas situações adversas. E o Maracanã não nos assusta, ao contrário, o estádio emblemático do Rio de Janeiro já nos viu triunfar com vitórias maiúsculas muitas vezes. Contra o próprio Flamengo já fez isso, em 1983, na libertadores (ganhamos por 3×1) e em 1997, na Final da Copa do Brasil, quando empatamos por 2×2, calando a torcida carioca que já comemorava ensandecida, apenas para ficarmos em dois casos.

                        Em 1997, nunca se olvidem, conquistamos a terceira copa do Brasil de maneira invicta. Cinco vitórias e cinco empates, para sermos mais precisos, com a artilharia do Paulo Nunes (do Grêmio e da competição). Passamos pelo Fortaleza (duas vitórias), pela Portuguesa (vitória em casa e empate em SP), pelo Vitória (empatamos na BA e ganhamos no RS), pelo Corinthians (ganhamos em SP e empatamos no Olímpico) e, assim, chegamos às finais contra o Flamengo, estando a primeira partida marcada para Porto Alegre.

                        No dia da partida, o Olímpico estava lotadíssimo, como sói acontecer, porque nossa torcida está sempre alentando e apoiando. A partida foi disputada no dia 20 de maio de 1997. O calendário da competição era bem mais curto àquela altura. Eu me recordo que chegamos atrasado naquela partida e, quando entramos, o pai e eu, já haviam transcorrido mais de cinco minutos de jogo. O Grêmio, treinado por Evaristo de Macedo, fora a campo com Danrlei, Arce, Rivarola, Mauro Galvão, Roger, Dinho, Emerson, Joao Antônio, Carlos Miguel, Dauri e Paulo Nunes. O Flamengo era apontado (mas que surpresa) pela imprensa gaúcha e brasileira como favorito, embora a campanha do Grêmio tivesse sido muito melhor.

                        Durante dias, fomos martelados que deveríamos construir o resultado em casa, pois o Flamengo seria imbatível no Maracanã (exatamente como aconteceu este ano). Afinal, era o Flamengo de Romário e Sávio (sim, essa foi a frase textual de Paulo Brito). Ainda me espanto de como os gremistas puderam, tão rapidamente, esquecer que tínhamos acabado de passar pelo Corinthians, de quem havíamos ganho com autoridade indiscutível em pleno Morumbi. Isso pouco importava. O pessoal estava realmente impregnado com essa história de que tínhamos de vencer de qualquer jeito; do contrário, ir-se-ia o boi com as cordas junto. Claro que a vitória era (como no jogo do dia 09/10) mais que desejável e esperada. No entanto, a verdade estava mais que longe daquela terra arrasada que os eternos pessimistas e mal-intencionados propalavam.

                        O jogo em si foi tenso, muito disputado. Foi um jogo de marcação e de força. Muitas jogadas desleais e um nervosismo imenso em campo. Dinho, por exemplo, foi expulso em um lance que poderíamos qualificar de infantil. O fato é que o cronômetro era veloz demais e não conseguimos abrir o placar. Felizmente, nem o time adversário. O nervosismo era muito visível e a torcida refletia esse nervosismo intenso. Afinal, fora dito e repetido exaustivamente que se a vitória não viesse, poderíamos esquecer o título. E o apito final soou e o empate sem gols foi muito festejado pela turma da Ipiranga. Eu me recordo muito bem que havia um clima muito pesado e de incredulidade nas arquibancadas. Recordo-me, também, que a torcida aplaudiu muito o time que, visivelmente abatido, dirigia-se ao vestiário. As entrevistas pós-jogo passaram toda a tristeza que a equipe estava sentindo. Eu, muito irritado, perguntei ao pai o que ele achava, e ele respondeu-me: “se tu estás chateado assim, calcula o quanto os jogadores estão”. Verdade. Não havia nada decidido, mas estávamos todos desproporcionalmente cabisbaixos e desesperançosos. E essa foi a tônica da IVI nos dias posteriores ao jogo. Deu-se, há vinte e dois anos, em 1997, precisamente o que está acontecendo agora, em 2019.

                        O jogo de volta seria no dia 22 de maio de 1997, no Rio de Janeiro. Sim, ainda havia isso. A partida seria disputada apenas dois dias depois. Estranha época em que não se falava de recuperação de jogadores etc. Lembro-me do Globo Esporte do dia 22, dia da partida, todo dedicado ao Flamengo e ao Romário. Todo já no sentido de que não havia necessidade de partida de volta, mesmo tendo havido um empate sem gols em Porto Alegre. O título já era do Flamengo, eram favas contadas, diziam todos os jornalistas entendidos naquela altura, ignorando que nossa campanha na Copa do Brasil tinha sido muito mais consistente. E boa parte da torcida comprara esse discurso. Exatamente, sem tirar nem pôr, o que está tendo lugar no RS, a mais pura terra arrasada.  Só que o Grêmio, time Imortal e Copeiro, mostrou a eles todos o quão errados estavam por subestimar a Alma Tricolor.

                        Impressionava, pela TV, no dia 22, a imagem do Maracanã lotado com quase cem mil pessoas. E impactava ainda mais, aos que ao Maracanã foram. Éramos poucos diante daquele mar rubro-negro, recebemos, meu irmão, um primo e eu, diversos insultos e objetos que nos tacavam sem dó. Seríamos as testemunhas da conquista do nosso título. Fomos para a partida com Danrlei, Arce, Rivarola, Mauro Galvão, Roger, Otacílio, Emerson, Joao Antônio, Carlos Miguel, Rodrigo e Paulo Nunes (que seria substituído por Djair). Foi, novamente, um jogo muito disputado, com força. João Antônio abriu marcou logo no início de jogo. Ainda na primeira etapa, o Flamengo marcou duas vezes. O segundo gol do Flamengo foi do Romário e, no final do tempo, os repórteres voaram em cima dele, alguns já falando em título ganho. Mas havia o segundo tempo ainda, e, ele foi muito duro. A arbitragem foi muito leniente com os flamenguistas. Caseira demais. Deixou barato alguns lances muito duvidosos em cima de Paulo Nunes e do Arce.


                        O fato é que estávamos apreensivos porque o relógio voava, a partida estava quase acabando, e estávamos atrás no placar. E aí aconteceu aquilo que mais queríamos: marcamos um gol com uma categoria inigualável. O jogo parecia decidido e estava nos momentos finais. A torcida flamenguista comemorava o título e até Romário, com empáfia que teve de engolir, já ensaiava uma dancinha ridícula à guisa de comemoração à beira-campo. Foi quando Roger vindo com bola pela esquerda e cruzou. Carlos Miguel, que vinha em carreira, recebeu a bola, chutou certeiro e marcou o gol que empatou a partida, calou o Maracanã (e a IVI) e que nos deu nosso terceiro título da Copa do Brasil.

                        Claro que a alegria foi indescritível para nós gremistas. A celebração foi muito bonita quando do retorno dos jogadores a Porto Alegre. Aquele título foi a mostra aos torcedores que não havia motivo para aquele pessimismo todo que tomara conta de todos quando do final da primeira partida. 22 anos passaram-se e, com o que aconteceu no dia 09, na partida de ida, e na quarta-feira passada, pelo Brasileiro (em que pese ser outra competição e, nomeadamente, nosso time não estar interessado nela), vi que parte da torcida não aprendeu muita coisa. As semelhanças com o que se passou àquela altura são enormes: um resultado aparentemente adverso depois de um segundo tempo sofrível no primeiro jogo (no caso do jogo em Porto Alegre, em 2019, o sofrível foi o primeiro tempo), terra arrasada plantada pela IVI e um clima de oba-oba e já ganhou do outro lado para a partida de volta. E eis o que aconteceu. Diante disso, meus amigos, digo-lhes: não há por que ficarmos desesperados. Haverá uma partida muito disputada, é verdade, um jogo lá e cá, aberto, até porque nenhum dos dois treinadores colocará o time retrancado. Haverá intensidade e velocidade. E temos um bom elenco que não nos faz azarões, pelo contrário. Será um jogo totalmente aberto e que, se D’s quiser, terá resultado favorável a nós que, novamente, calaremos, ao mesmo tempo e a uma só toada, o Maracanã, a IVI e os justinos. Por isso, viajarei ao Rio de Janeiro, estarei no Maracanã e digo alto e em bom som: NUNCA DUVIDE DO GRÊMIO: EU ACREDITO.

Fotos: João Guilherme | Grêmio FBPA

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