CRUEL, O JAEL

Ele não é exatamente um primor técnico. Mas algo me faz admira-lo de certa forma.
Jael. Nascido em Várzea Grande, MT, surgiu no Cuiabá…isso no apogeu da era dos centroavantões. Transpôs fronteiras, rodou por diversos clubes dos mais variados quilates e veio parar no Grêmio.
Sim, naquele Grêmio campeão da Copa do Brasil, e que começava a encantar o país.
Vestiu o Manto. Gosto demais disso num jogador. Mesmo com insuficiência técnica, discursos fortes sempre, metendo dedo na cara de quem aparecesse, incomodando zagueiros com seu porte (combinemos, é difícil ganhar dele no corpo-a-corpo), bucha de falta em Grenal…um atleta com alma de Grêmio, exatamente como a torcida mais fanática do país sempre admirou.
Claro que, aos poucos, ganhou o carinho do torcedor. Porque cada um de nós sabe, a raça dentro de campo depende da disposição de cada um. A qualidade técnica, não.
A torcida Tricolor abraçou Jael, pois sabia que, dentro do que ele conseguia fazer, sempre deu seu melhor.
Como prêmio, 14 gols, 14 assistências, uma delas pro gol que abriu o caminho pro Tri América. Foi campeão da Libertadores, Recopa, Gauchão.
Um cara que jamais tremeu. Um ser humano diferenciado e um profissional com a alma do Grêmio.
Insuficiente tecnicamente, eu concordo. Vai fazer falta? Acho que não. Nosso patamar é absolutamente outro nesse momento. Aliás, critiquei demais Jael, sempre. Dizia que “não se tratava de jogador pra clube grande”.
Mas sabe, sua saída me deixou uma pontinha de tristeza. Estive na Arena no último jogo de 2018, bem pertinho da goleira do último gol dele pelo Brasileirão. Vibrei muito, mas o sentimento de despedida martelava minha intuição.
Ao final de tudo, creio que todos nós lembraremos com carinho de Jael. Um cara que deu a alma, o sangue e sai com o dever cumprido. Ele e torcida davam a impressão de serem um só. Talvez fossem. E isso, nada apaga.
Obrigado Cruel! Boa sorte em sua caminhada a partir de hoje.
A vida e o futebol se cruzam. Ninguém é lembrado por ter sido perfeito, mas por ter dado sempre o melhor de si.
E nisso, foste cruel!

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