ADEUS AO DIABO, A 2019 E AOS MEUS AMIGOS

Um tango finda, quase silente em minha surrada vitrola. Ouço gorjear de passarinhos em um findar de inverno, quase primavera. Nossos ricos rincões nos proporcionam essas benesses, e nos teleportam aos momentos áureos de nossos antepassados. Meu finado avô, parte linda dessa história, ao comprar um fusca vermelho, questionado foi, lascou resposta padrão neto Argentino: “Assim posso dizer que ando montado num colorado!”, tudo seguido por risadas e taças de vinho.
O ambiente rústico, bucólico e sereno daquela época em nada lembra essa tapera sentimental em que sobrevivemos.
A vida transcorre. O gênio de ontem é o mentecapto de amanhã, passando pelo “burro” de hoje. E tudo isso com base em 90 minutos bem ou mal administrados pela arbitragem…ah, a arbitragem! Por um lance capital que mudaria uma partida e um cenário, por uma lavagem cerebral midiática que muda tudo – o carma de muitos maldosos pode sim ser decisivo, vide 2006 – e enfim, pelo sobrenatural que existe.
Me questiono: em tempos de recolher migalhas, qual o tamanho do prejuízo se o sobre-humano não estivesse ao lado deles?
Como seria a colheita se o dinheiro de algum inimigo envenenasse toda a lavoura?
Nossos antepassados não ganharam nada…lutaram por seu espaço, sacrificando horas, dias, meses de trabalho sem descanso, sempre apoiados em Santos e Santas pra jamais perderem a fé em dias melhores.
Mas nesse caso específico, o diabo parece ter vencido. Há quem não creia em deuses e demônios, mas eles existem! Os finalistas da copa do brasil que o digam.
O futebol perdeu todo o sentido, e dessa forma, deixo meu adeus provisório a tudo o que tem me feito tão mal.
Tentei ser forte como sempre, e relutar em crer que Lúcifer não fosse tão mau, mas fracassei. Sou um fracasso como são Rômulo, André, Cortez, e a filosofia de Renato de deixar craques no banco pra escalar mediocridades, substituir errada e tardiamente, e o mestre dos magos Romildo, no que tange à passividade perante isso. Mas quando há guerreiros e nikãos, edenilsons e cirinos, patricks e uedels, lombas e santos(s) do outro lado, e eles vencem, bem…é hora de dar adeus.
Meu adeus sempre é um até logo, e meu tango parece jamais ter fim.
Porém, dessa vez minha vitrola passa a impressão de ecoar um réquiem. No canto escuro da sala, vejo os últimos amigos dando adeus e até logo.
Sinto-me confuso…adeus ou até logo?
O som da vitrola silenciou…o tango costuma silenciar no apogeu da tragédia.
Será um pesadelo em que tudo acontece ao contrário ou uma realidade que não queremos enxergar?
O diabo que responda. Porque em justiça Divina estou à beira de não crer mais.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

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