A VOLTA DE RENATO PORTALUPPI

Um dia desses, e não sabemos quando, Renato sairá do Grêmio. Não é desejo, é constatação.

Salvo seletas exceções, nenhum profissional do mundo louco desse tal futebol teve prestígio o suficiente pra solidificar um trabalho que não tenha sido abalado por frequentes contestações. E esse abalo quase sempre derrubou.

O caso de Renato é sintomático. É um mito. Como jogador, ganhou a América e o Mundo. Como treinador, nos tirou da seca, reconquistou a América e fez com que o Grêmio fosse, durante muito tempo, o mais estonteante futebol do país. Das Américas, eu diria.

Mas ele errou, e errou no ponto nevrálgico da apaixonada barra azul do Humaitá: indicando jogadores ruins, e insistindo com eles. Aquele folclore de que jogador ruim “que dá carrinho” era apreciado pela torcida Tricolor está na estante empoeirada de algum museu.

Não tem mais isso. A gente odeia jogador ruim. Nos acostumamos a ver um Grêmio ao mesmo tempo lindo e impetuoso, com jogadores nivelados por cima. Não importa se é da base, se é uma revelação de outro clube, se é medalhão caro. A resposta em campo é o denominador comum.

Sangue, raça, tudo isso é importante. Ser “parceria” do treinador, também é. Mas nada supera a qualidade técnica. E nisso, Renato se perdeu em 2018 e 2019.

Não preciso citar nomes, basta abrir qualquer rede social, varar perfis, desde cidadãos influentes dentro do Grêmio, até torcedores lúcidos e inteligentes – há muitos.

Ou melhor, avalie você mesmo. Os nomes não mudarão.

E no capítulo mais triste, Renato perde em casa pro Flamengo e cobra reforços como contrapartida para prosseguir. O mesmo Renato que meses antes se vangloriava de ser “o melhor futebol do país sem gastar”.

Renato um dia sairá do Grêmio. Virá um treinador, e outro, e outro. A cada fracasso, lembraremos do nome de Renato Portaluppi.

E claro, ao retornar, será recebido com merecida festa.

Pegará um grupo pronto, e extrairá o melhor dele, nos levando, talvez, a mais títulos. Se voltar mais maduro, claro.

Menos bruxismo e mais coerência e humildade. É só o que nós gremistas esperamos, e esperamos ansiosamente, pra quando esse maravilhoso dia chegar.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

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