#VERGUENZAConmebol

Desde terça-feira, sem qualquer sombra de dúvidas, todo gremista de verdade estava sofrendo de grandíssima ansiedade. Mais, todo o Rio Grande do Sul, já que a IVI e os do outro lado vivem igualmente de Grêmio, a quem dedicam mais tempo que ao próprio time. Com efeito, o resultado do julgamento deixou certeza em muitos e dúvidas em outros tantos. Afinal, a Conmebol acertou?

Sem entrarmos em tecnicismo jurídico, tentando ser francos e diretos, a verdade é uma. O que aconteceu na Arena, na terça-feira, foi uma violação inquestionável do regulamento. Aliás, basta o bom-senso para se o concluir. Acaso, se soubesse que não havia problemas, teria Gallardo colocado um abrigo azul-marinho e um boné enfiado disfarçando-lhe a má-cara? Teria ido de peito aberto, desafiador do alto de sua empáfia, como lhe é peculiar.  Se não houvesse problemas, teriam os brucutus que agem à guisa de seguranças do River impedido o acesso do delegado da partida aos vestiários? E, frise-se, que delegadinho frouxo. Afinal, responsável, personificação da entidade sul-americana na Arena naquela noite, foi impedido de exercer e não forçou, não fez valer sua autoridade?

São três irregularidades, portanto. Duas têm o mesmo viés: burlar a suspensão que fora impingida a Gallardo. A terceira, institucional, foi impedir o acesso do delegado da partida aos vestiários do River. Essa última foi cometida pelo clube em si e, sinceramente, foi pouco explorada, seja pelo expediente de ofício instaurado, seja pelo recurso impugnativo apresentado muito correta, oportuna e justamente pelo Grêmio.

A Conmebol orgulha-se de ser a primeira confederação da FIFA, filiada desde 1916. Tem grandes ambições, mas, ao mesmo tempo, tem uma longa história buliçosa e pouco recomendável. Sim, tem. E não custa lembrar episódios recentes envolvendo o próprio River sobre quem passaram a mão, fazendo vista grossa e ouvidos de mercador a uma série de irregularidades, arrumando desculpas técnicas duvidosas (como recurso apresentado fora do prazo) para escusá-los de cumprir a regra.

Regra clara, diga-se de passagem: o técnico suspenso não pode ter contato com seu time de qualquer maneira. O técnico suspenso, assim, equivale ao jogador escalado irregularmente, sujeitando o clube, em um ou outro caso, à perda de pontos (e consequente retirada da competição) e a uma outra suspensão, desta vez mais longa. O que houve, então, em Porto Alegre? Primeiro, Gallardo, o tempo todo, comunicou-se, por rádio, com o banco, passando instruções ao seu assistente que, à beira-campo, as recebia do auxiliar. Prova? Gallardo não falava em um celular, mas em um rádio de limitadíssimo alcance. Com quem estaria falando, então? No banco do River via-se o rapazote com outro aparelho idêntico grudado ao ouvido. Aparelho que ele largava para correr falar ao ouvido do assistente técnico que “substituía” Gallardo. Mais uma prova? A postura do assistente técnico durante a entrevista, debochando dos jornalistas (ele e o jogador que se encontrava a seu lado), dizendo que Gallardo estava falando com a família. Sim, é verdade, talvez Gallardo estivesse falando com a mãe, interna da Tia Carmem. Depois, houve a postura do próprio Gallardo que afirmou, em entrevista, haver violado a regra. Necessitava de mais alguma coisa?

A presença de Gallardo nos vestiários foi atestada pelas câmeras da Arena. Não há como se negar, igualmente, portanto. Houve, ademais, jogadores que confirmaram não só sua presença, mas, também, sua peroração. Configuradas, portanto, duas irregularidades que implicam perda de ponto e multa pesada. Não haveria como, então, se manter o River na final.

As considerações de IVIstas e justinos, sem exceção, de que o Grêmio não merecia ir à final não têm sentido (lembrem-se, até, que Mauricio Saraiva acusou Grohe de cera, não se desculpando quando o goleiro foi diagnosticado com fratura). Não se está negando que o Grêmio, sinceramente, fez feio na terça-feira. Tampouco se quis ganhar no “tapetão”, como se apressaram a eructar uns quantos tontos no RS. Buscava-se o correto, a Justiça, o cumprimento das regras. Nós já fomos “vítimas”, sem sermos culpados, dessas regras violadas. O River, ao contrário, foi protagonista disso. Agiu com dolo. Não seria certo que arcasse com as consequências?

E a IVI adorou a polêmica, porque pôde fazer coro às notícias falsas que inundaram as redes quinta e sexta-feira, trazendo toda sorte de boato, fazendo coro à torcida da imprensa argentina.  Impressionante. O Grêmio lutou sozinho: contra a Conmebol e seus expedientes (mudanças de datas, comunicados dúbios, providências contraditórias sobre as datas dos jogos), contra a imprensa e contra a CBF que não ajudou em nada, malgrado o discurso para inglês ver. A verdade é que a entidade brasileira não moveu uma palha. Lutamos sozinhos, com destaque à atuação do presidente Romildo, do Nestor Hein, do Lamachia e do advogado uruguaio Fernando Sosa. Como também foi curial o chamado combate das redes, com os gremistas indo ao twitter e ao facebook em massa, mandando mensagens aos patrocinadores, levando aos trending topics nada mais e nada menos que cinco hashtags!

E embora houvesse a oportunidade de acerto, embora estivessem presentes todos os elementos para a aplicação de uma sanção exemplar que sinalizaria ao mundo que a Conmebol evoluiu, ela preferiu esposar o atraso e a pilantragem e acochambrou, em uma decisão pífia, pusilânime e covarde, perfunctoriamente fundamentada e que ignorou os fatos e o próprio regulamento, afundando sua já escassa credibilidade. A Conmebol manteve a final que estará para sempre maculada pela desonestidade da entidade. E o fato é um só: a instituição que mais saiu fortalecida em todo este episódio foi o Grêmio Foot-ball Porto-alegrense, que se mostrou digno, altivo e correto todo o tempo. Só quem tinha a perder com uma decisão ruim era a própria Conmebol, de vez que poria por terra toda sua pretensão de moralizar o futebol e engrandecer-se. Com a decisão de ignorar seu próprio regulamento e de não punir o River (porque, na prática, a decisão foi essa), lançaram descrédito sobre a confederação continental que provou ser uma festa de compadres, sublinhando o pior do caráter sul-americano, sendo nada mais que uma aziaga reunião de caudilhetes patéticos.

Sombrios  tempos para o futebol.

Um comentário em “#VERGUENZAConmebol

  • 7 de novembro de 2018 em 10:49
    Permalink

    Se as Guianas optaram por fazer parte da Concacaf, mesmo pertencendo à América do Sul, pergunto (à guisa de curiosidade): Não poderia o Grêmio solicitar sua saída da CONMEBOL e solicitar seu ingresso na CONCACAF para efeitos de disputas em nível continental? Existiria essa possibilidade? Quais seriam os efeitos práticos? Quais os empecílios dessa eventual saida? Deixo essas indagações para o debate. Grato!

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