UMA FREEWAY RUMO AO HEXA

Estava eu, bem belo, melenas ainda sem corte e barba por fazer, dando meu tchau ao posto de trabalho naquela quarta-feira. Na porta, meu perro amigo me aguardava, ansioso e risonho, em sua pontualidade de 19hs para o costumeiro passeio. A exemplo dos últimos 6 anos de convivência aqui em casa, arrastou sua coleira até o portal da sua felicidade, a rua, para cumprir sua alegre rotina.
Quinze minutos depois, o Grêmio entraria em campo pelas quartas-de-final da Copa do Brasil. O adversário, um Bahia razoável, bem organizado por Roger Machado e que empatara na Arena, tendo inclusive perdido uma boa chance de vencer.
Pois meu fiel companheiro, que também deve ser gremista, pois comemora comigo os gols tricolores (hehe) parecia indicar com seu olhar e seu entusiasmo acima do comum que venceríamos. Mas os requintes de crueldade, nem ele imaginava.
O Grêmio começou como eu imaginava: André, Léo Gomes e Cortez. Os dois primeiros por teimosia do Renato, o último por falta de uma opção melhor. Mas o Grêmio se impôs, e fez o gol numa verdadeira pintura, de um Alisson cuja escalação, em detrimento ao atrevido e ascendente Pepê, eu havia criticado horas antes. Então.
A arbitragem, a exemplo de quase sempre, um escárnio. Em dado momento cheguei a temer pelos bravos torcedores presentes à chuvosa Arena Fonte Nova. Pensei que a qualquer momento poderiam ser amarelados ou expulsos. Dois pênaltis não marcados, com muita generosidade. No anulado, Alisson tenta progredir e é tocado novamente. Falta retroativa em caso de sequência de lance por vontade do jogador? Só contra o Grêmio. Enfim, passamos.
Mas as grandes notícias da noite vieram depois. Por mais que seja o inter, vamos admitir que Palmeiras e Flamengo fora do nosso caminho é uma freeway aberta: quatro pistas e limite de velocidade nas nuvens…um caminho aberto pro hexa! Quando o jogo do Palmeiras acabou, um misto de frustração e alívio passou por mim. Uma final com um paulista ou carioca seria catastrófica, visto as recentes “decisões das equipes de arbitragem”. E de mais a mais, os elencos mais ricos e poderosos do país estão fora de uma competição que, em primeiro lugar é muito lucrativa, e em segundo leva-nos diretamente à fase de grupos da próxima Copa Libertadores. É pouco? Ok, vencendo voltamos a dividir a hegemonia de maiores campeões da Copa do Brasil, e provavelmente vencendo na final o atual dono do posto. Que tal?
A noite encheu-me de entusiasmo. Muitas luas transcorrerão até a final, e os pequenos ajustes que faltam talvez sejam corrigidos. Aliás, serão. Renato é teimoso, não burro. A história prova.
Quando desci pra enfim comer meu sanduíche, que é só o que desce em dias de jogos decisivos do Grêmio, meu perro amigo dormia profundamente. Mexia as patas, como que sonhando algo. Pensei comigo: “O hexa é logo ali…se ele pode sonhar, por que eu não posso?”
Grêmio, inter, Cruzeiro e um Atlético, mesmo que com outra grafia, na mesma semifinal.
Após o arrepio que esse pensamento me proporcionou, adormeci.
E sonhei com a freeway aberta, e uma frase Seixista me despertou: “Assim como os poetas, todos temos que sonhar”

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

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