UM FUTEBOL DE PONTA-CABEÇA

Saudades de ver o Grêmio em campo, eu sinto inclusive quando os jogos são quarta e domingo, sábado, quinta, segunda à noite. Quando uma partida do Grêmio acaba, já treme cada estrutura do meu corpo pela expectativa da próxima peleia. Cada embate que finda em triunfo, a eletricidade em cada fibra nervosa por uma sequência de vitórias, que sempre trazem consigo a confiança, a alegria do dia seguinte, e vários passos à frente nesse tabuleiro chamado “competição”. E quando a glória não vem, dentro de um duelo qualquer pelos verdejantes tupiniquins ou portenhos, o sangue palpita de indignação, a busca pela recuperação, e a certeza de que “no próximo jogo isso, aquilo”, e bola pra frente porque, como diz meu amigo Cisco, aqui é Grêmio e não adianta.
Pois bem. Venho de um futuro próximo pra dizer que, minha expectativa de não sentir tanta saudade do Grêmio em campo seria amenizada pelo fato de haver nesse hiato competições paralelas – Copa América, Mundial Feminino e Mundial sub-20 – redundaram em um fracasso absoluto e inolvidável.
Por partes. O mundial sub-20 até que foi razoável nas partidas que acompanhei, mas por vezes preciso fazer força pra lembrar que a Ucrânia foi a campeã. Ano que vem talvez ninguém lembre que a Coreia foi finalista. Pudera também. E pra nós gremistas, a ausência do Brasil redundou em ausência de jogadores Tricolores no torneio. Orfandade total.
O mundial feminino, a melhor das três competições paralelas, até teve seu charme, mas nas meias-finais a lógica se confirmou, EUA e europeias no domínio. E nada de pampeanas representando o azul, preto e branco por lá. Apesar disso, devemos ter uma bela final. Nada além disso.
Por fim, a “competição mais importante do continente”, e nisso meus professores de geografia falharam miseravelmente: nunca me falaram que Japão e Catar se localizavam na Sul-América. Quantas vezes devo te-los inserido em outro continente nas provas e passou batido por eles. Tadinhos dos meus “profes”…enfim, em uma copa com três grupos, várias monótonas partidas, e que no fim das contas se classificavam quase todos, vimos Brasil, Uruguai, Chile e Colômbia sobrando na primeira fase, Venezuela fazendo um belo embate com o Brasil (nada mais), e posteriormente perdendo para a pior Argentina de todos os tempos (sim, achei que a da Copa de 2018 seria a pior…a pioraram. Incrível!), Peru passando apenas pela incompetência dos demais, e sabe-se lá como, fará a final contra o Brasil. Aliás , o mesmo time canarinho que enfiou 5 ao natural neles na 1ª fase, e que terminará a competição sem sofrer um gol sequer. Um Uruguai que largou como favorito e se embananou contra um time pífio, e um Chile que…bom, tirando a Argentina, todos que quiserem sair de uma crise é só chama-los. É vitória certa.
Encerro com a seleção brasileira. A torcida convocou Éverton, a torcida escalou Éverton, e ele correspondeu… até ser boicotado. Um escárnio o que fizeram com o guri na semifinal! E pra manter sua sobrevida obtida, o pastor de todas as ovelhas abriu o crematório no intervalo, sacando o melhor atacante brasileiro em atividade pra selar seu “baixo a cabeça e faço o que a CBF quiser”, e colocando um William que fez o que todos previam: nada, além de trazer a Argentina pro campo brasileiro, perigosamente em alguns momentos.
E nem vou falar que Arthur só virou titular da seleção depois que saiu do Grêmio. É o Arthur do Barcelona. Todos em êxtase, inclusive – e principalmente – a dona IVI. Embora o Ali55on continue sendo o “goleiro formado pelo inter”. Se bobear, nem sabem aonde ele atua hoje.
O futebol está de ponta-cabeça…ou eu que estou ficando maluco. Tanto faz. Mas pro bem do futebol, e pro nosso também, que nossa rotina chata volte logo. O céu azul das manhãs gélidas aqui da querência me dão todos os dias a vaga impressão de que vejo a camisa gremista entrando em campo, pra um jogo de Libertadores, em algum “potrero” argentino, uruguaio, paraguaio, ou em algum palco lotado calando mais de 40 mil fora de casa…tudo isso amigos, diante do que temos visto desde a parada forçada, a grana que faturaremos com o renegado Cebolinha, somada à renda total das três competições juntas, não paga nem a primeira prestação.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

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