UM DOMINGO NO SHOPPING

Coluna do Leitor*

Salve internos!
Domingo à noite, finalera de rodada do Brasileirão mais tosco de todos os tempos, uma invariável inconstância de situações e sentimentos, embora todas elas e todos eles absolutamente previsíveis. Como prometi a mim mesmo, não acompanhei nada de nada nesse domingo em termos futebolísticos…talvez já imaginando como ele acabaria. Meu palpite foi certeiro e acertado.

Vejamos:
Um ultra-desfalcado Grêmio enfrentaria o Palmeiras (da Crefisa, do Felipão, do Dudu, o campeão brasileiro do certame 2018) em seus domínios. Um Palmeiras forte, embalado, confiante e sob a batuta de um verdadeiro monstro vivo chamado Luis Felipe Scolari, contra um Grêmio fragilizado por desfalques, sem foco e de sangue diabeticamente doce. Sabia qual seria o resultado, mas a possibilidade de vencermos ainda me cutucava em alguns momentos. Não deu. E não me entristeceu. Explico.
Lá, entre a Padre Cacique (a avenida que invadiu o pátio do aterro) e o próprio aterro que beira o lago Guaíba, uma das vacas no telhado enfrentava a outra, numa batalha de vizinhos distantes geograficamente, mas íntimos a ponto de dividir mate, rapadura e entregadas…ou entregadas de rapadura horas após um bom mate?
Não sei bem…a verdade é que a vaca no telhado anfitriã, a exemplo do que insistia esse humilde ninguém que vos fala, venceria o duelo com a vaca do telhado vizinho, e por dois motivos simples: primeiro, porque a vaca vizinha é de péssima raça, piorada por um fazendeiro que, ora a solta na lama, ora no pasto, ora na areia, ora no cascalho…e ao final de cada jornada, nem ele nem a vaca sabem ao certo por onde e em que momento passaram por cada ponto dessa pampa pobre. Um estancieiro uruguaio se aventurando em terras paulistas. Chance na enésima potência de fracasso. E segundo, porque há um cidadão na cúpula da CBF que resolveu determinar que, em seu aterro, só sua vaca pasta e só seu time ganha! Não importa como, precisa ganhar! Não importam os meios, e sim os fins. E assim, só a eles é dado o direito de vencer em sua casa, de pastar em seu verdejante (pra quem não sabe, significa “repleto de verdinhas”…) reduto.
Com a previsibilidade do que se avizinhava, este escriba tomou a liberdade de visitar a Feira do Livro de Caxias, adquirir alguns exemplares, passear no shopping com a patroa, os cunhados, o afiliado…e esquecer que havia futebol (inclusive a disputa de vizinhos cordiais aquela).
Quando cheguei e tive ciência dos resultados, tive um misto de raiva anunciada e paz interior. Não consigo secar meu Grêmio, e por isso não assisti nosso jogo. Não gosto de filmes repetidos, e por isso também ao outro confronto não assisti.
Esse campeonato está, há horas, tendo a cúpula decidindo quem vence e quem perde. Painato não é bobo, Romildo muito menos. E também por isso perdemos. Não nos interessava vencer. A IVI e os demais generais da entidade aquela torciam por nós hoje. Só hoje!
Até na nossa derrota eles conseguem sofrer…que delícia!
E querem saber o que mais?
Eu quero a Libertadores!
Prefiro um passeio no shopping, livros que nunca são demais, um sorvete e uma cervejinha com a patroa, e o Tetra da Libertadores! Afinal, o torneio desdenhado pela IVI, tem seu ápice na possibilidade de alcançar o topo do Mundo, e não uma briga de chifres entre duas vacas que insistem em se segurar sobre o telhado, mesmo sabendo que nenhuma delas lá permanecerá.
Cada um com sua grandeza.

Adri “Argentino”

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