REMÉDIO PARA OS CORAÇÕES TRICOLORES

Sou do tipo de gremista que sofre demais. Minha serenidade ao longo do dia (minha noiva sempre questiona “como tu consegue?”), parece que acumula pra transbordar em forma de adrenalina a cada jogo do Grêmio. Na verdade, em tudo o que se relaciona ao Grêmio.
Só que de alguns anos pra cá, essa angústia e as crises de ansiedade que me assolavam a cada partida do Imortal, pouco a pouco estão me abandonando.
Após viver minha infância vendo um Tricolor que ganhava quase tudo nos anos 90, vivi uma adolescência e início da fase adulta de penar. Sem citar nomes, houve fases em que os times montados me apavoravam…em especial a defesa.
Ah, a defesa!!
Houve certas alineaciones defensivas que me faziam ir dar uma volta, arranhar um riff no violão, trocar de canal ou até mesmo desligar a tv a cada ataque do adversário. Sabia que hora ou outra o Grêmio levaria um gol decisivo e mais uma temporada iria pelo ralo.
Mas passada a tempestade da segunda década de vida, vieram os 30 anos, os primeiros cabelos brancos, e com eles, um zagueiro. Ou melhor, um pilar, um xerife, um monstro, um deus…falo de Pedro Geromel.
E que zagueiro é Geromel! Não apenas é monstro em campo, como vestiu o manto, incorporou o espírito e faz questão de dizer que está bem aqui e daqui não quer sair.
Vejo Geromel jogando e lembro de quando ele aqui chegou. Zagueiro com cara de nerd, marca de remédio, muy malo, estreia com gol contra, “manda embora essa naba!”… Lembro da IVI tripudiando sobre a contratação, os inúmeros deboches nos programas esportivos à época. Vejo Geromel jogando, e lembro do quão fundamental ele foi nas mais recentes conquistas. Juntamente com Kannemann, outro monstro, uma das mais sólidas duplas de defesa da História do Grêmio (alguma dúvida?). E lembro do quanto a IVI precisou se render ao seu futebol, tanto que precisaram a todo custo tentar criar um equivalente nos lados do aterro. E tentaram, com toda a destreza! Klaus, Cuesta, Moledo e agora um tal “Roberto”, figuras medíocres incapazes sequer de lustrar a chuteira desse verdadeiro monstro vivo!
Vejo Geromel jogando e lembro das inúmeras vezes em que vi a reprise de Grêmio x Hamburgo no Mundial de 1983, a classe de De León encarnada em um defensor com DNA tricolor, que não foge da peleia e cujo objetivo não é tornar-se um milionário, e sim uma lenda!
Vejo o Mito em campo, e lembro de um aluno da oitava série em meio a dois times de jardim de infância. Sobra, rouba a bola dos adversários com a facilidade com que ajeita a melena antes dos jogos, sai jogando com qualidade, quase desconhece o balão, desfila com imposição em campo, estremece o adversário.
Nome de remédio? Pode ser…e até parecer engraçado num primeiro momento. Mas quem se importa? Taças, idolatria, prestígio, seleção, Copa do Mundo, Gremismo, aplausos, um nome na História do Grêmio!!
Pedro Tonon Geromel. Um dia meu neto talvez me pergunte quem foi esse zagueiro com nome de remédio. E talvez, num ato de nostalgia, eu só consiga responder: “Meu anjo…é uma longa história…”

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