A Viagem TRI – Um Interno no La Fortaleza

Quando um interno do Hospício foi até Lanus e trouxe na bagagem o TRI da América!!!

 

Uma viagem, a viagem, a grande viagem… iniciaria ela na tarde do dia 28/11/2017, um misto de apreensão e euforia tomava conta de mim e de todos os companheiros viajantes, apreensão devido às ameaças vindas dos hermanos e euforia porque não tínhamos dúvidas nenhuma que voltaríamos com o TRI. E assim lá fomos nós, durante o caminho percorrendo os bancos do ônibus conhecendo novas pessoas, fazendo novos amigos, gritando, pulando, cantando, alentando, e claro, na mão o velho e saudoso trago. Ali ninguém mais pensava em nada além da grande final, além daquela que todos amantes do futebol desejam: A grandiosa Libertadores da América!! Ali que desconhecidos em questão de segundos se tornam eternos amigos, ali que a alegria predomina e qualquer problema se passa por cima, como quando entramos na Argentina e fomos barrados de entrar em qualquer lugar que não fosse Buenos Aires, e sem o dentes escovar e o rosto lavar seguíamos lá rindo, brincando e com alegria no olhar.
A multidão em azul, preto e branco em questão de horas tomou conta das ruas argentinas, dos bares, restaurantes, parques… Lá chegavam loucos descontrolados amantes do futebol e apaixonados pelo Grêmio. A cidade já bonita se tornou muito mais bela com aquela invasão azul, turistas e argentinos espantados, admirados, muitos tirando fotos, filmando e outros até entrando junto no alento com os tricolores fervorosos. Depois de algumas horas a hora de partir, para casa? Não, claro que não! Para La Fortaleza, o estádio acanhado e mais assustador que nosso próprio adversário.
Os primeiros quilômetros, o alento e o trago no ônibus, a ansiedade tomando conta e a hora que parecia não passar. E tão logo na saída de Buenos Aires as primeiras pedras, uma acertou entre dois vidros do nosso guerreiro e imponente ônibus, deixando-os estilhaçados. Medo? Apreensão? Nadaaa… seguimos mais firmes e fortes em busca do nosso objetivo: Voltar com a taça! Enfim chegamos, a multidão azul cada vez mais próxima, aglomerada e unida caminhando juntos (assim como no nosso glorioso hino) até a entrada do estádio, e depois de três bretes lá estávamos nós, dentro do campo inimigo, há poucos minutos da grande batalha, da maior delas desde 1995, e ali a ficha começava a cair, estávamos perto, muito perto de fazer história. Circulando, olhando, se enfiando entre um e outro, subindo aquela arquibancada íngreme até chegar no último degrau, encostado no muro grená daquele velho estádio. Lá parei, admirando a bonita festa de abertura organizada pela Conmebol e os fogos que regiam o som aliado ao barulho dos argentinos, foi um dos poucos momentos que se ouviu a torcida deles. A nossa, sem banda tentava segurar no gogó, fazendo frente mas sem a necessária força. O jogo começa, Grêmio mandando e voando em campo, até que próximo aos 10 minutos olho para baixo e vejo a entrada triunfal da Geral, com toda sua banda cantando “Eu sou borracho sim senhor, e bebo todas que vier…” a área destinada a nossa torcida explodiu, e a partir daí não parou mais de vibrar e cantar, até a voz se esvair. O Grêmio jogava muito bem, mas com a chegada da Geral o time ganhou mais força e pouco depois chegou ao primeiro gol, que olhando lá de cima se via o Fernandinho correndo que nem louco quase comendo a bola, determinado e focado até disparar uma patada não dando chances nenhuma ao goleiro metido a zagueiro do Lanus.
Que festa, a torcida explodiu pela segunda vez, abraços, beijos, choros, o Tri que tínhamos certeza que viria parecendo mais real e ao nosso alcance. Não paramos mais de alentar, gritar, berrar, torcer. O tempo do jogo? Nem imaginava que minuto estava, até que ao contrário da patada dada por Fernandinho vinha Luan, conduzindo carinhosamente a bola, como se fosse eu levando meu filho pela mão em um passeio, e com a delicadeza de um príncipe, ou melhor, de um rei coloca a bola para dentro, fazendo assim acontecer a terceira explosão gigantesca na torcida, naquele momento mas nenhum receio ou dúvida: A América era nossa!!
Neste momento lembrei do meu velho pai e quando estávamos dentro do Olímpico na glória de 1995, não segurei, chorei… chorei como com 14 anos naquela noite linda no Monumental, o primeiro tempo se foi assim, emocionante e incrivelmente louco. Incrivelmente louco como eu que ao início do segundo tempo resolvi pedir um pezinho aos gremistas ao lado para alentar de cima do muro, sim, aquele mesmo muro grená, ali agarrado num auto falante precário vi um segundo tempo um pouco mais tenso, mas sem medo algum, a certeza do título eu já tinha. Leve pressão do Lanus, pênalti cometido por Jailson e gol (segundo momento que ouvi a torcida deles), e depois a expulsão de Ramiro. E nesses quase 50 minutos finais a torcida não parou um minuto se quer, todos, eu disse todos cantando sem parar. Com certeza nenhum corneteiro frequentador de social conseguiu ingresso, amém!
Até que a quarta e última explosão chegou com o apito final, ali já ninguém mais pensava, racionava ou se quer falava… ali de cima do muro pude ver 350 mil abraços, milhares de rostos alegres e centenas de olhos lacrimejando, foram imagens que chamais sairão da minha mente, uma verdadeira “viagem” louca e emocionante que me marcarão eternamente. Ah! O alívio… O TRI veio, e trazido pelo maior dos nossos ídolos, o grande Renato Portaluppi, que meu pai venerava desde os anos 80. Dali foi só festa e festa, dentro do campo, nas arquibancadas de La Fortaleza, na Arena do Grêmio, na avenida Goethe e em milhares de lares pelo mundo todo.
O GRÊMIO É TRI CAMPEÃO DA AMÉRICA!! O GRÊMIO É GIGANTE!!
Mas e a viagem de volta? Precisa contar? Acho que não né?!
O que importa é que trouxemos a Copa! A viagem foi literalmente uma viagem louca e descontrolada!! ?⚫⚪??

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