QUANDO O INVERNO ACABAR

A Serra Gaúcha é peculiar. Quem a conhece, entende. Faz um calor infernal no verão, costuma fazer um frio islandês no inverno, e no hiato entre os extremos chega a fazer as quatro estações no mesmo dia.
Sou apaixonado pela Serra e pelo Grêmio exatamente por isso. Amo o improvável, sou louco pelo inexplicável, me fascina o imprevisível.
Estávamos em vias de adentrar o verão nos meus momentos mais alegres enquanto gremista nos recentes anos. Momentos em que, pra ser sincero, até minha mania de acreditar sempre já deixara as expectativas largadas ao martelo do destino. Mas aconteceu, os títulos vieram e fui feliz como nunca!
Pois bem. Algo em comum houve nesses anos dourados: quando o inverno se aproximava, as dúvidas se acumulavam. O desempenho sempre esteve abaixo do pretendido por uma equipe que almeja títulos. Enquanto outros “voavam”, nós patinávamos. E apesar de ser amante incondicional do romantismo e aconchego do inverno, ele eventualmente é cruel comigo em termos futebolísticos. É angustiante chegar no momento do ano que mais apetece assistir uma partida do Grêmio sob um caliente edredon, e estar atormentado por dúvidas, incertezas, e a inevitável ausência total de fome que as crises de ansiedade me proporcionam.
Às vezes tenho que cumprir a dura missão de dar razão ao Renato: nos acostumamos muito mal. Clube nenhum consegue manter a rotina de vitórias, exibições monstruosas, títulos a baloque. Só que, da mesma forma que as estações do ano, as ideias também precisam ser recicladas.
O outono traz a queda das folhas, pra que o inverno adormeça a brotação, a primavera traga nova vida e o verão brinde a nova safra. Se tivéssemos a chance de cruzar a inteligência e a capacidade de gestão de grupo do Renato com a flexibilidade cíclica da natureza, teríamos um Sir Alex Ferguson no Humaitá.
Talvez seja pedir demais. Mas fico pensando como seria nosso “ô de casa” ao inverno de 2019 se o nosso ídolo (que resgatou nossa honra, vale frisar) tivesse saído um pouco do seu próprio universo nesse primeiro semestre. Mas ao mesmo tempo, lembro das últimas primaveras e verões, e concluo que talvez o tempo seja o melhor dos remédios.
Vem aí mais uma metamorfose climática, um clima ameno que se tornará gélido em meio à Copa América. Que seja só mais um daqueles invernos em que dormi desiludido e acordei campeão.
E Renato tem milhares de acres pra fazer a lavoura produzir os frutos que tanto ansiamos. Basta entender que a natureza possui ciclos.
A experiência, boa ou má, ainda é o melhor dos professores.
Confiamos em ti Renato, hoje e sempre! Aproveita pra valer essa pausa. Treinando, é claro.
Pra que o ciclo natural do futebol esteja na sua harmonia perfeita quando o inverno acabar.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

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