POR QUE TODAS AS MANHÃS ME REMETEM AO 26/11

Minha vida hoje mudou totalmente em relação à época daquela tarde quente (em vários sentidos) de 26 de novembro de 2005.
Da tempestade do regime semi-escravo da empresa na qual trabalhava, recém-saído da adolescência à época, e com meu Campeão do Mundo Grêmio penando pra sair da segundona, hoje navego em águas mais calmas (às vezes nem tanto) no comércio que eu e minha mãe mantemos. Ela administra e eu faço as vezes de cérebro e trabalho bruto.
Claro que, você que leu até aqui, deve se perguntar o que o estabelecimento desse imbecil tem a ver com o Grêmio e com aquele dia?
Explico: era ali que morávamos! Sim, o que hoje é um típico secos/molhados/armarinhos em geral dos anos 2000, já foi nossa morada, inclusive naquele fatídico e inolvidável ano, naquele dia que todos nós deveríamos esquecer, e não deveríamos ao mesmo tempo.
Não vou contar toda a história, pois como disse o Volódia em seu texto fantástico e arrepiante, não precisa.
Mas a cada manhã de rotina gabaritada, passo pelos mesmos lugares: aonde estive ajoelhado, testa no chão e mãos na nuca, tentando disfarçar o pranto e exigindo dos deuses do futebol um milagre!
O ponto aonde estava a TV, que atualmente abriga um velho expositor com chinelos Havaianas. Ah, o lugar aonde hoje meus clientes vêm famigerados em busca do pão francês de cada dia, quase causou minha morte na ocasião (ou no mínimo um braço quebrado).
Acontece que ali havia um sofá, que literalmente separava a sala da cozinha. E quando o Galatto pega o pênalti, o maluco sai correndo feito cão atrás de graxaim, salta por sobre o tal sofá, e a pontinha do hálux (tá, o dedão do pé) toca o móvel, e o resultado é o tombo mais agradável, indolor e inesquecível da minha vida!
Não terminou…após os primeiros socorros e a certeza de que eu estava bem, voltei pra frente da TV (numa área que lembro toda vez que vou abastecer a estufa dos salgados), e lá estava Anderson invadindo a área, quase sem ser importunado, e marcado o gol… GOL!!
Do GRÊMIO, da FUGA DO INFERNO, do IMORTAL, do TÍTULO que já era comemorado no Arruda, ao coro de “ah, é Pernambucooo!”
Paralisei. Não consegui comemorar. Perguntei a mim mesmo “está valendo isso??”, no momento em que a mãe sorria, quase que de forma debochada, ao me entregar um cheque de 100 reais e dizer: “Eu falei que o Grêmio ia ganhar…e prometi te dar isso em troca”.
Não lembro de quase nada até o apito final. Só sei que, após algum tempo vendo a festa, tentando ressuscitar após ter morrido por alguns minutos (sim, sou um caso raro de ser que faleceu e voltou, sem necessidade de desfibrilador, massagem cardíaca, choque, nada!). Só então liguei pra um amigo de longa data e perguntei: “tá vivo?”. Diante da confirmação, disse: “então vamos dar uma volta no centro, tomar uma cerveja”
Imaginei encontrar por lá alguns gremistas. Jesus!
Juro, jamais o Calçadão de Carlos Barbosa recebeu tal concentração de pessoas, fogos, cervejas e camisas de um mesmo clube. JAMAIS MESMO! Viramos a madrugada! A partir das 23h tive a segunda crise de amnésia do dia, e querem saber?? Isso é o GRÊMIO! Não importa que tenha sido série B. Foi contra o mundo, com 7 guerreiros em campo e dois pênaltis injustos, inventados e apaziguados pela IVI. Com imprensa, polícia, todos contra!
Hoje, enquanto escrevia, no intervalo do trabalho, me vi na obrigação de dar uma passada por esse ambiente, agora silencioso, tal qual os Aflitos, o Arruda, o Calçadão e seus transeuntes, mas acima de tudo meu coração, que embora tenha parado por alguns minutos, precisava voltar a bater pra ver por muitos e muitos anos o meu Grêmio! Da América, do Mundo, das glórias e decepções, da alegria e da raiva, da nostalgia e da atualidade, mas sem jamais esquecer o Grêmio peleador e destemido dos Aflitos! O Grêmio do jogo que, pra mim, jamais terminará… exatamente por estar vivo em minha memória, e em cada palmo desse ambiente, aonde chorei, morri, renasci… aonde piso e me emociono, todas as manhãs.
Obrigado meu Grêmio! Eu te amo!!

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