POR MAIS CEBOLINHA, MENOS MODELO EUROPEU

O Grêmio está se preparando para voltar com tudo nesse segundo semestre (assim eu espero), e o assunto do momento é a seleção brasileira de Éverton “Cebolinha” Sousa Soares. Isso mesmo, o nosso craque é sem dúvida nenhuma, hoje, o protagonista, o vetor da mudança de característica, da empatia com os torcedores e, por que não, o termômetro da equipe do Adenor.

Mas como, em tão pouco tempo, Cebolinha se tornou tudo isso?

A resposta é simples. Estávamos carentes de um atleta gente como a gente na seleção. Um atacante que representasse eu, tu, nós todos, ali em campo; mostrando a criatividade para driblar as adversidades da vida e humildade para conquistar as coisas.

E esse é o nosso guri Cebolinha na sua essência e que agora desabrochou para o mundo.

Mas não é somente pelos seus valores e conduta dentro e fora de campo que faz de Éverton a referência para a garotada e especialistas da bola. É também, pelo fato dele ser o sopro de esperança do resgate de identidade do futebol brasileiro.

Senão vejamos. A seleção carrega nos ombros o peso dos 7 a 1 em 2014 e das simulações de falta exageradas de Neymar em 2018. Viramos chacota, même, piada mundo afora. E, historicamente, quando a seleção entra nessa crise de identidade e perspectiva de conquistas, os bam-bam-bãs apontam o dedo para a nossa falta de estrutura, corrupta gestão, e dentro de campo, por falta de um modelo de jogo “moderno” e/ou “europeu”.

É aquela coisa: a grama do vizinho é sempre melhor que a nossa (ok, no caso da Arena isso é uma verdade).

Então com essa lógica na cabeça, começamos a empurrar práticas europeias, vocabulários estrangeiros, goela abaixo dos jogadores. E, isso meus amigos e amigas, é o que soterra ainda mais o futebol brasileiro – pensar que importar conceitos, sem adaptá-los a nossa realidade, irá salvar a “nossa” seleção.

Assim, quando Éverton aparece como “salvador da pátria” depois da novela Neymar, ele traz consigo a virtude de ainda não ter sido picado pelo vírus europeu de jogar futebol; Cebolinha é um contraveneno a esse futebol burocrático, de cumpridores de função que fazem analistas de números terem orgasmos múltiplos.

Convenhamos, Cebolinha é um produto da base gremista lapidado por nada mais, nada menos do que o mestre da malandragem saudável, o nosso Portaluppi. Então, graças, ao Grêmio, uma equipe que não tem medo de atacar; e ao Renato, um treinador que não cansa de cobrar o improviso dos atacantes, é que agora todos voltamos a ter um pouco mais de apreço a essa seleção de celebridades vindas do velho continente.

Sim, há exceções aqui e lá. Mas elas são para confirmar a regra. Por isso afirmo categoricamente: por mais Cebolinha, menos modelo europeu!

Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

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