PASSAMOS

Eu assisti o jogo em casa, sozinho.

Sozinho não, a tecnologia permitiu que eu assistisse o jogo com meus pais e minhas sobrinhas que estão longe, lá no Sul da Califórnia. Rebecca e Samantinha fardadas, cantando com meu pai. Pulando, quando o time entrou. O pai reclamando, muito, quando eles empataram. Eu amaldiçoei o Will, o Carlton, o tio Phil, a Tia Vivian e toda a família lá do Jailson. Fiquei triste pelo Geromel, mas entendi. Era o último homem. Se viesse um vermelho?

Víamos o tempo passar. As bolas se sucedendo mas o capricho desatinado do destino com sua mão pesada desviando-a da trajetória do gol.

Eu reclamava da falta de chutes a gol, vibrei quando “Renato me ouviu” e sacou Ramiro e pôs Allison. Agora vai, pensei.
Kannemann um monstro em campo. Grohe seguro.
Maicon, líder nato com o escudo do Grêmio tatuado na pele (obrigado pela imagem, Egídio).
Tudo dizia que iríamos passar. O relógio, maldito seja, contra nós.
Massacrávamos, é verdade, mas eu temia que o pior aconteceria. Não estávamos traduzindo a superioridade em gols, finalizávamos muito, mas o capricho do gol não saía. Tenso demais o clima. Estávamos desclassificando nós mesmos. E eu pensando na injustiça porque não podia ser verdade que a retranca catimbeira pudesse ser bem sucedida. Não podia acreditar que seríamos eliminados por um erro bobo nosso, não por mérito do adversário. De novo?! Recusava-me a crer.

Olhei para o computador ao meu lado. Minhas sobrinhas no colo do vô, agarradas. O pai muito nervoso. Rebecca olha para mim e diz: -calma, tio. Diz pro vovô que tudo vai dar certo. – Eu sorri. Minhas sobrinhas, de 7 e 4 anos estavam mais angustiadas do que eu.

E D’s ouviu àquele anjinho e o Allison meteu para dentro… Minha mãe às lágrimas. O pai dançava com as netas. Eu gritei muito, a arrebentar as cordas vocais.

Estávamos classificados. Não, dir-me-á tu, ainda havia os penais. E eu digo: tinha certeza de que passaríamos porque o momento era nosso.

Os pênaltis foram assim: eu de pé em frente à TV. Meu pai de pé lá com as sobrinhas ao colo. Minha mãe ao lado. Todos os penais convertido! E a cada conversão, muito pulo e gritaria. Viva, viva, viva o Grêmio! Meu avô dizia que pênalti bem batido sempre entra e tivemos cinco penais exemplares.

Quando eles erraram, já era puro delírio . Quando André bateu o último, sendo sincero, não duvidei da escolha de Renato (e eu reclamara muito quando ele entrou durante o jogo e tiro o chapéu para a inteligência do gesto). Gol feito, classificação na gaveta. Pronto!

O resto foi indescritível. Passamos. Calamos a IVI, alentamos os gremistas e enfurecemos os morangos. Dia 19 haverá o desafio outro, Tucumán. Que se corrijam os rumos, que agora celebremos e que saibamos que o caminho do tetra está pavimentado.

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