OS FUNÂMBULOS DA TORCIDA E O DOCE SOM DA RAZÃO

Todo gremista é gremista. Ninguém é mais gremista que outro.

No momento em que traçamos estas linhas, o time titular está massacrando o Sindicato dos Atletas, aplicando-lhe uma sonora goleada. As apresentações estão maiúsculas, em que pese a tibieza do adversário, mas não se pode negar que aquela qualidade que nos encantou em 2017 estará inegavelmente presente em 2018. E nem bem os titulares entraram em campo, já se ouvia esvanecer os “protestos” que a justinaria ananás ensaiava dias e semanas antes, em verdadeiras birutas rodopiando insanas, perdidas na ventania da IVI, exigindo, de forma histriônica, os titulares no Ruralito FGF.

São tal e qual aquelas funâmbulos de circo mambembe tentando andar em arame mal esticado, querendo evitar tombar para um dos lados, posto que ou cairão no ridículo ou no opróbrio… São uma minoria barulhenta, sim, mas pequeníssima, e a prova veio, paradoxalmente, da própria IVI que, segura de suas falácias, resolveu promover uma pesquisa interativa. Na verdade, duas, uma pela IVI da Ipiranga, que apareceu no twitter e no facebook, e outra pela IVI da Orfanotrófio, no Twitter, durante um dos programas. Na promovida pelos amigos do Jabba Legado, do Pipoca que gosta da Rima e do Papoula, 88% disseram que não se deveria usar os titulares para o jogo de logo mais contra o São José no Micro-ondas d’Areia. Naquela dos coleguinhas do Peppa Pig, 78% concordaram que não se deveria usar os titulares. Portanto, Srs., siga o baile.

Notem bem: não estamos alienando uma parte da torcida. Todo gremista é gremista. Ninguém é mais gremista que outro e a verdade não é propriedade absoluta de qualquer pessoa. Estamos, apenas, pondo as coisas em perspectiva. Para que se render à histeria do gauchão, posto que desimportante? Institucionalmente, nós do Hospício Tricolor não consideramos esse campeonato viciado – e já estamos fartos de bater nesta tecla – cuja importância é aquele que lhe damos. Serve, sim, para testarmos os guris. Já dissemos isso na semana passada e aqui reiteramos. Vejamos à frente, vamos respeitar o planejamento!

Por que estamos voltando a esse assunto? Muito simples. Queremos sepultá-lo e, para isso, usamos o que observamos esta manhã durante o jogo treino dos titulares. Vimos, no twitter, muitos ácidos críticos já suavizados. Viraram agridoces, comemorando os golos daqueles a quem, há poucos dias, vituperavam contra por ainda estarem de férias. Pedimos desculpas a esses críticos por termos tido sucessos em 2017 e, desta feita, nossa temporada ter sido mais comprida.

Um ponto interessante esse de percepção. Conduzimos um estudo nas últimas semanas. Com o auxílio de uns amigos de fora do Hospício, observamos as reações de pessoas que se informavam exclusivamente pelos canais tradicionais e aqueles que também interagiam nas redes sociais, colhendo dados e fatos de fontes gremistas e alternativas. Pois bem, aqueles que apenas ouviam a Gaúcha, liam a ZH ou o CP etc., tinham uma visão pessimista em relação ao clube e eram mais propensos a repetir as esparrelas da “falta de contratações”, enfim, repetiam o discurso viciado dos isentos cronistas. Os que interagiam nas redes eram menos contaminados pelo vermelhismo atávico da imprensa e entendiam melhor o planejamento do clube. Planejamento. Esta é a chave.

Sejamos pacientes com esse planejamento. Temos independência editorial e institucional. Apoiamos e criticamos quando se o merece. E, até o momento, em relação à questão do planejamento, entendemos que o Clube está no caminho certo. Nosso grão de sal vai em outro aspecto: o treinamento e preparação dos guris para a disputa do ruralito poderia ter começado em Novembro. E como tudo indica que, este ano, teremos outra temporada bem larga, quiçá os responsáveis pelas estratégias do Grêmio já se o tenham dado conta e, destarte, assim já o planejam para 2019.

Planejamento, perseverança e continuidade são o segredo para o sucesso de qualquer equipe, aqui ou em qualquer lugar. Pensem no grupo hoje titular e desde quando esse núcleo está formado. Aquela rotatividade que outrora era nossa marca não mais existe. E aquela instabilidade cobrou um alto preço. Hoje, todavia, a visão estratégica amadureceu e a base do time segue inalterada, agregando-se um ou outro elemento. Com aquele grupo unido e coeso, as pontuais substituições são mais facilmente absorvíveis. E, assim, o impacto é menor, permitindo a evolução natural do trabalho. É nisso que temos de pensar. Não no ruralito e na impossível hipótese de um rebaixamento estadual (fantasminha maroto que as harpias de plantão passaram a acenar).

Tal e qual o minuano envolvendo os pampas, aquela lufada de razão varreu as cassandras da torcida que, equivocadas, gritavam ensandecidas porque não enxergavam os objetivos maiores: Libertadores, Brasileiro e Copa do Brasil. Bastou o treino de hoje cedo para que sossegassem. Se um resultado adverso vier hoje mais tarde, recrudescerão, mas pouco importa, de vez que suas opiniões são mais ignoradas que gente feia em baile.

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