OS DONOS DA BOLA E O FIM DA MAGIA DO FUTEBOL

Aprendi a jogar bola nos campinhos.

Potreiros, pra ser mais exato. Tempos do “bateu na mão, é falta!”, “caiu sozinho, foi nada!”, “quem chuta busca!”…ah, quantas vezes eu buscava a bola nos banhados!
Se alguém desrespeitasse as “regras”, o dono da bola a recolhia imediatamente, e fim de jogo!
Os campinhos hoje são saudade…uma surrada bola ao pé de uma trave de taquara, sob o clarão de estrelas e vagalumes, inerte lembrança de um tempo bom que se foi.
São tempos de VAR, de entidades e tribunais bolorentos, em cujos porões mofados transcorre tudo o que há de mais podre no esporte que aprendi a amar no tempo em que jogava nos campinhos.
Falando nisso, me bateu uma saudade dos campinhos…tempos em que gol de mão não valia, simular pênalti então, Deus me livre!
Aquela magia se perdeu em algum lugar entre os paletós dos cartolas e a mediocridade da índole de atletas e dirigentes.
Melhor me resignar…os donos da bola de hoje não acabam mais com o jogo.
Eles acabam com a nossa esperança de dias melhores.
Dias em que, jogando limpo, o resultado de uma partida jamais passava pelo dono da bola.

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