O Rei de Copas virou Penta, virou Tri e pode ser Bi

Como será o amanhã?

Enquanto preparava mais uma refeição aqui no Hospício comecei a cantarolar insanamente uma canção dos anos 80.

‘A cigana leu o meu destino. Eu sonhei! Bola de cristal, jogo de búzios, cartomante e eu sempre perguntei. O que será, o amanhã? Como vai ser, o meu destino?’

Parei, respirei fundo, a lágrima escorreu e o coração acelerou. Estamos na véspera do sábado de acabar com o Planeta. Tudo aquilo que passamos ao longo dos tempos, o que imaginamos um dia, a materialização dos devaneios mais remotos… Lembram daquele 28 de novembro de 1995? Eu não esqueci até hoje dos botecos do bairro cheio de recalcados pelas conquistas recentes do Grêmio segurando tubos de ajax, um produto de limpeza muito usado na época. Aliás, os tais torcedores de um ex-rival que no ano seguinte COPIOU a camiseta daquele homônimo holandês, mostrando toda sua pequenez.

Choramos, erramos, caímos, voltamos, batalhamos, sorrimos, conquistamos, acima de tudo, crescemos. E novamente com aquela figura que representa toda a envergadura campeã de ser gremista, o ícone, o mito, o Deus (perdão pela heresia, religiosos), Renato Portaluppi. Dos pés dele, o nosso maior título da história, naquele 11 de dezembro de 1983. Se alguém ainda ousa tentar desmerecer tal Taça, leia aqui. E agora, pelas suas mãos, depois de um hiato considerável, retomamos nossa saga vencedora. O Rei de Copas virou Penta, virou Tri e pode ser Bi. Em nossa cabeça e nossa alma, não existe frustração, independente do que vier, porque estaremos para sempre com o Grêmio, onde o Grêmio estiver, ainda mais com esse comando do ‘padeiro’, expressão que serviu por anos de deboche do outro lado, os mesmos que agora pregam o politicamente correto, como se amassar o pão fosse depreciativo.

Enfrentaremos uma Seleção do Mundo. Enfrentaremos uma constelação com campeões por seus países. Enfrentaremos a sana de brasileiros que não suportam o azul, preto e branco. Enfrentaremos uma imprensa enfurecida porque não há do que falar mal mais daquele que não estuda. Enfrentaremos o maior de todos na história do futebol mundial. E daí? Somos a alma copeira. Somos o grito do Charrua na Guerra Cisplatina. Somos o sangue farrapo. Somos do Bairro da Azenha. Somos da Baixada. Somos, fomos e seremos por TODOS aqueles que lá do céu cantam contigo.

O dia não passa, no fogo que abranda esse carreteiro que faço para os loucos, vejo aquela chama que não se apaga, como a Fênix que saiu das cinzas para brilhar. Não importa se eles têm Sergio Ramos, porque nós temos Geromel. Não importa se a habilidade do Cristiano Ronaldo é incomparável com qualquer outro atleta de nosso escrete, porque a vontade do Jael superará tal habilidade alheia. O carrinho que rasga a leiva do gramado dado pelo Edilson é superior qualquer passe certeiro do Kroos. O sorriso do Cortez é mais simpático do que de Gareth Bale. E a beleza do nosso treinador supera qualquer elegância daquele argelino, naturalizado francês.

Eu não sei o que acontecerá. A música não sai da minha cabeça, dos meus lábios, do meu peito. O volume aumenta, como se estivesse desfilando em meio à bateria da União da Ilha do Governador, naquele saudoso Carnaval de 1978, com meus oito anos de idade. Já desfolhei, o mal-me-quer, primeiro amor, de um menino. A pergunta fica no ar:

‘Como será o amanhã? Responda quem puder. O que irá me acontecer? O meu destino, será como Deus quiser…’

Um abraço,
Gui Zado, o Cozinheiro!

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