O REI DE COPAS E AS PRINCESAS DA IVI

Queremos uma imprensa que diga a verdade, que aja com honra e dignidade.

À época das guerras do século XIX, quando nossas terras eram ameaçadas pelos vizinhos, havia um ditado que as guarnições viviam repetindo lá na Fronteira: “O Brasil pode dormir tranqüilo porque o Rio Grande vela pelo seu sono e Bagé, a Rainha da Fronteira, é sua sentinela”. Tinha de iniciar tão nobre coluna falando de mais uma rainha para parafrasear o dito que todos os Gaúchos da mais nobre estirpe (nós de Bagé, é evidente) já ouvimos. Fica, então, assim a paráfrase: “o sci pode dormir tranqüilo porque a IVI vela pelo seu sono e IVI da Ipiranga, a mais vermelha das vermelhas, é sua sentinela…”. E vou mais além: “… e tem até fiscal de acostamento vermelho, ali nas valas laterais da 118, gritando por reconhecimento”.

Nós estamos a uma partida de conquistarmos a Recopa, mas, para a IVI, a semana foi profícua para os vermelhos, não para nós. E ainda mais ativa para os próceres da IVI, esses obsequiosos isentos. Foram tantas ofensas à lógica e à verdade que chega a ser difícil escolher os temas a comentar.

No dia seguinte à nossa partida em Buenos Aires, a Folha da IVI da Ipiranga dedicou uma pequena e tímida chamada, alertando para uma “partida fraca”. No dia seguinte, à partida do sci pelo ruralito, na quinta-feira, vieram os mais rasgados elogios às atuações do contundido europeu e do garnisé dos chiliques.

E foi só questionar-se a qualidade do Potker para pulularem as colunas-blindagem. Li, estarrecido, a Folha-Mor da IVI da Ipiranga estampar a chamada “sobre um dos melhores jogadores atuando em 2018”. Ora, Srs., o que eu quero saber é quais são os prosaicos motivos que levam a essa canalhice à guisa de reportagem? A coisa vai no modo estapafúrdio ligado a ponto de enveredarem por uma “análise” pretensamente psicológica de um jogador “diferenciado”, como todos da pandilha vermelha, aliás; mais uma!

Voltemos ao jogo do Grêmio. Falamos dele.
O primeiro tempo foi bom, sim. E o segundo foi muito melhor, principalmente após os 15 minutos. Foi apenas o 3o. jogo do time. Estamos tentando jogar como 2017 com preparo físico ainda incompleto de 2018. Pernas travadas. Não era jogo pra velocidade, mas para cadência no meio. E, como disse o amigo Delfos durante a partida, observe-se que não estamos com mecânica de jogo e preparo físico ideal. É bem isso, meus amigos: dominamos amplamente. Não se traduziu em gol, mas a postura foi boa, não abdicamos de atacar! A postura do time agradou-me deveras. E isso será ampliado na partida de volta, em nossa casa.

E o que fez a IVI sobre o jogo? Quis destacar um suposto favorecimento do árbitro para nossa equipe. Favorecimento que não existiu. Era um juiz para lá de péssimo, nível baixíssimo e quase prejudicou o andamento da partida e influiria diretamente no resultado se não fosse o recurso ao VAR. Sintomaticamente, só no RS que os “papas” da crônica esportiva são contra o VAR! Claro que o são, eis que seria mais difícil emplacar as tramóias do Gauchão.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA
FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

No dia seguinte, chuva de críticas contra o nosso time e o contra o Renato e suas escolhas. Alisson e Lima foram vítimas contumazes, bem como os seguidos questionamentos sobre a falta de golos de Jael. Para quem passou mais de mês ignorando a Recopa, a Gaúcha e a ZH, no dia seguinte, estavam muito faceiras comentando a partida e tentando criar crise a despeito da boa apresentação, querendo já sepultar os jovens. Não é o momento para julgamento definitivo tipo “fulano não serve”, “lateral não funciona”… Time foi bem dentro do possível. Melhorou com as trocas. Vamos melhorar conforme peguemos ritmo de jogo. A Taça virá, disso estou seguro.

Só que a crise grassou para o nosso lado. Palavras de Salmão Mortadela, líder do Parque dos Dinossauros. Jabba Pedrernesto eructou idiotice sexta-feira, dizendo que o Grêmio não dá oportunidade aos jovens! COMO É? O mesmo Jabba que dava faniquitos no ar por causa do ”time de transição” no ruralito passou a dizer que se tem de dar mais espaço aos mesmos jogadores que ele malhava como despreparados! Aí está o nível de isenção acachapante. São tão isentos que urram e esturram.

E o Damião? Ah, o Damião… Encostado, parado, desmotivado ou relegado, como queiram classificar. Só não está lesionado. Ora, Srs., como assim? A mídia isenta não para de questionar Jael e sua falta de gols. Não se trata de dizer se o Jael é bom ou não, ou se gosto ou não dele. Estou comparando posturas. Alguma linha na Brava Imprensa porto-alegrense sobre a falta de gols do Damião? Bem capaz! Um silêncio eloqüente que exsuda isenção. Nem uma entrevista do jogador ou de seu empresário cujas ausências nas páginas esportivas somam-se àquelas da mãe de um jogador, racialmente agredida no Beira-Lamaçal, e da esposa do outro, a nutricionista… uma imprensa minimamente digna iria investigar por que mais de R$ 500.000,00 por mês, entre salários e outras rubricas desse jogador, são gastos à toa.
No Grêmio, já vimos contas de quanto custou cada gol, entrevista a pai, filho, Espírito Santo; já vimos corneta pelo preço da pipoca, responsabilizar toda a instituição por atitude isolada, estigma de racismo e por aí vai.

Tudo o ora exposto não são ilações. São fatos. E, em que pesem os justinos, contra fatos não há argumentos. A força com que negam a existência da IVI, tanta virulência para negar a existência de algo, quer dizer que os histriônicos, engolfados em contradição, não crêem, eles mesmos, que a IVI não exista; ao contrário, sabem ser um fato que paira sobre as redações gaúchas. E todos têm o mesmo fascínio pelas Princesas da IVI e asco pelo Grêmio.

Mais uma vez, uma coluna em que mostro um comportamento da IVI que, sem qualquer constrangimento, viola os mais elementares princípios da deontologia jornalística ou da mais comezinha decência. E como combatemos isso? Denunciando-a sempre que possível. Insisto, porém, não queremos uma imprensa azul. Queremos uma imprensa que diga a verdade, que aja com honra e dignidade.

E por último: por que o Rei de Copas no título? Apenas a velha e boa corneta entre torcidas: enquanto por lá são princesas da IVI, sete anos sem títulos que, para vencer fora, têm de comprar mando de campo, digo: princesas há muitas; Rei, porém, existe apenas um: e nosso time é o Rei. De Copas.

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