O PRÍNCIPE MIMADO

Durante a infância e adolescência é normal que queiramos ser sempre vencedores, empurrados pelos limites e ânsias naturais de um ego em construção.

Por outro lado, na sequência desta etapa, pessoas adultas realizadas não correm atrás da vitória a qualquer custo. Elas vivem a emoção do êxito quando conquistado e o luto pelas inevitáveis derrotas que ocorrem ao longo de um caminho vencedor, com maturidade, com o olhar resignado de quem sabe que esta é a regra do jogo, consagrada por centenas de ditos da sabedoria popular e outros tantos aforismas e reflexões de pensadores eruditos.

Caso se continue entendendo na idade adulta, como no primeiro quindênio de vida, que o mundo e tudo que faz parte dele é nosso por “direito”, a conformação de um adulto de perfil voluntarioso é uma das sequelas irremediáveis.

Torna-se virtualmente impossível para uma pessoa com estas características ponderar e considerar a vontade do outro, haja vista que está imerso de forma permanente nas preocupações exclusivas com os próprios interesses e caprichos.

Desta forma, a criança que faz birra, força o choro, se debate para obter dos adultos aquilo que deseja naquele exato momento, torna-se o adulto que, diante de dificuldades, de obstáculos e da iminência da frustração ou da derrota, apela para o discurso chamado nos dias de hoje de mimimi e para ações que, na verdade, são reações inconsequentes e irresponsáveis a fim de evitar a todo custo uma privação da própria vontade.

Ocorre que, conforme sabido, ninguém conquista absolutamente tudo que quer, na hora que bem entender.

Pessoas imaturas têm a tendência de manter, em essência, o mesmo comportamento da criança que um dia, por circunstâncias educacionais e socioeconômicas, nunca teve dificuldades para ter todas as vontades e impulsos atendidos.

O ego inchado faz com que o esse adulto melindroso se considere especialíssimo e quando não ganha imediata e graciosamente de autoridades, instituições ou dos céus aquilo que querem porque querem, se queixam, reclamam, culpam os outros, se emburram, batem pé.

Aqueles que têm este tipo de ego inflado atribuem a si mesmo características de seres elevados a quem todos deveriam obedecer, agradar e reverenciar. E, por isso, caso não tenham o triunfo esperado, acreditam que fuerzas ocultas estejam sabotando suas pretensões.

Não há muito que possa ser feito com relação a este tipo de pessoas com quem, de tempos em tempos ao longo da vida, se precisará conviver e às quais se terá que suportar. Apenas o dia a dia e a história hão de mostrar-lhes a realidade real que lhes toca e a qual, mais cedo ou mais tarde, terão que enfrentar.

Tudo isso é absolutamente natural, humano e compreensível. Não seria, portanto, em absoluto, motivo para análise ou registro escrito e divulgado numa página sobre o mundo da bola.

Não seria, mesmo…se não fosse exatamente este o caso de um indivíduo, quase sexagenário, que tem este perfil – o qual carrega um potencial nefasto para os esportes coletivos e do qual se teve uma amostra do poder insidioso nesta semana do clássico n° 418 – que ocupa atualmente e, segundo consta, seguirá, pelo menos, até 2021, ocupando a função de presidente de um dos dois mais importantes clubes de futebol do Rio Grande do Sul.

Mário Antônio

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