O GRÊMIO E A CANÇÃO DE DUAS FRASES

Além de ter o Grêmio como segunda pele, tenho um gosto absurdo pela música. Claro, pela boa música. Não vou entrar em detalhes, até porque gosto não se discute. Mas não abro mão de boas músicas, em meu trabalho, em meu lazer, em meus passeios. Traz paz ao meu espírito.
Nem preciso dizer que as partidas do Tricolor, quando embaladas por uma Arena lotada entoando canções a plenos pulmões, inebriam minha alma e derramam minha adrenalina pelo corpo a ponto de eu sequer conseguir comer até o jogo acabar.
Mas voltando à música em si, uma de minhas inspirações chama-se Raul Seixas. Raulzito, como era conhecido, compôs várias obras-primas. Uma delas, com apenas duas frases. Não aquelas frases sem sentido, exaustivamente repetidas em determinados “estilos musicais” que maltratam nossos ouvidos dia e noite. Não. São duas frases carregadas de sentido, mesmo que pareçam abstratas e tolas a algum desavisado ou analfabeto funcional. Duas frases que ligam intimamente Grêmio e Gremistas.
O Imortal e os Imortais sempre foram um só. Os Tricolores jamais abandonaram o Tricolor, e jamais importou a fase. Dias tenebrosos foram superados com bravura, sempre! O cimento frio de uma noite de inverno no Velho Casarão da Azenha e a decepção de mais uma partida sem vitória…uma tarde escaldante de sábado em que a bola entrou no grito. Uma viagem longa com o objetivo único de alentar sem jamais desistir, e o regresso já pela madrugada, com o amargor do insucesso ou a borrachera de alegria por mais um triunfo monumental. Tudo isso embalado pelas canções de um estádio abarrotado, tenha sido no palco de espetáculos de gala do Olímpico, tenha sido na moderníssima Arena.
Então, cá estamos nós, novamente em uma fase de quartas-de-final de Libertadores. O adversário, o Palmeiras. A fase é inferior à qualidade do elenco e de seu treinador. E aí é que entra nossa torcida, a melhor e mais fanática do Brasil. A Arena precisará, como poucas vezes em sua história, se dividir entre cancha de futebol e palco de show. Cabe aos 50 mil torcedores (não aceito menos que isso) amassarem o Palmeiras no timbre, no grito, no cântico, no alento durante o desenrolar desses elétricos minutos que demorarão um Festival de Rock inteiro pra passar.
Uma vida dedicada às três cores é a herança que cada um de nós deixará para os filhos e netos, e o orgulho que levaremos à derradeira morada. Assim como as canções e partidas do Imortal que embalaram nossas vidas. Entre elas, esse Grêmio x Palmeiras, que poderá abrir o caminho para mais um título de Libertadores. E a torcida não está sendo exaustivamente convocada por nada. A essência está na canção de Raul Seixas a que me referi ao longo do texto.
“PRELÚDIO”, a genial letra de duas frases:
“Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade…”
Arena lotada e vitória Tricolor, e o encaminhamento de uma semifinal. Mais uma de tantas. Talvez mais um título.
Ao final, desejo que a velha vitrola toque apenas “…sonho que se sonha junto é realidade…”, embora minha alma talvez já ensaie um “O Grêmio vai sair campeão…..”.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

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