O ESQUEMA DO 10-0-0

O Grenal foi ontem e ainda estamos algo anestesiados pelo resultado que, francamente, não era o que esperávamos.

Fomos vítimas da nossa própria expectativa e, naturalmente, quando exigimos muito de nós mesmos, há grande risco de ficarmos algo decepcionados. E foi justamente isso que aconteceu: vínhamos de partidas excepcionais contra Cerro e Santos, tendo até os reservas contra o Goiás mostrado aquele estofo diferente e vitorioso. Desta feita, era natural que quiséssemos um resultado elástico e, igualmente, um espetáculo inolvidável. Quando a excelência é nossa regra, a normalidade parece-nos pequena, pouca e tíbia. Por isso estamos exigindo tanto de nós mesmos. Por isso o resultado pareceu-nos tão minguado.

Passamos a semana aguardando o Gre-nal. Já prevíamos uma vitória e passamos a semana contando com isso. Nós mesmos aqui do Hospício partilhávamos dessa euforia e dessa esperança. Quando não vimos concretizar o que seria um resultado natural, evidente que nos trouxe algo de frustração, mas não se pode deixar de relevar que o empate, nas circunstâncias que se deu, foi algo normal. Um empate em um clássico não é, justiça seja feita, um mau resultado, mesmo na situação caótica em que eles encontram-se.

A pequenez do time deles ficou patente ontem. E louve-se a posição adotada por Romildo e por Renato que ousaram dizer todas as verdades aos microfones da IVI que já, alegremente, crocitava contra nós fazendo terra arrasada. Eles são pequenos e vieram à Arena comportar-se dessa maneira, tendo inaugurado o esquema 10-0-0! Fizeram simplesmente uma gargantuesca retranca, enchendo a área numa linha recuada que nem mesmo o frágil Goiás fizera na quarta-feira.

Não se pode falar, verdadeiramente, em igualdade. Tivemos 73% de posse de bola, 11 finalizações e 536 passes certos contra 27%, 1 e 115 por parte deles (e dos 27% deles, diga-se lá por razão de justiça, mais da metade deve-se à cera sistemática de seu goleiro). Some-se a isso uma arbitragem desastrosa que sonegou três pênaltis (há quem tenha visto quatro, registre-se) e que não tinha o controle do jogo em nenhum momento, deixando algumas faltas criminosas impunes e que, por exemplo, aliviou diversas vezes para o Patrick e para outros jogadores (haja vista o momento final do jogo, com o Dalesujo agredindo Luan. E, novamente, nada foi feito). O maior e mais sintomático sinal de que o resultado não foi ruim é a posição que ora ocupamos na tabela e a posição que eles poderão ocupar, dependendo dos resultados de outros jogos. Ademais, todo time pequeno que vai jogar contra um maior, aferra-se a essa mesma estratégia: impedir que a bola role porque se rolar, o time melhor controla inexoravelmente e envolve o menor. Natural, portanto, que eles estejam comemorando o que eles enxergam como uma vitória. Só não caiam nessa porque é um mito que não se sustenta.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Claro que o empate, em tais condições, insistimos, deixou-nos com um pequeno gosto amargo, um sentimento de que faltou algo. Quiçá pudéssemos ter aproveitado melhor o lado esquerdo do campo e aproveitado o que nos pareceu uma maior fragilidade de marcação ali. Ontem Luan não estava rendendo muito, é verdade, e o Everton não mostrou o mesmo nível (e não estava mal, diga-se), mas é uma grande bobagem repetir-se as invectivas da IVI sobre “nó tático” de odair em Renato. Isso é balela. Quando não sabem o que dizer de uma partida, eles empregam essa expressão para dar a impressão de que estão analisando “tecnicamente”. Não houve ‘nó tático”, houve, noves fora a arbitragem, pequenos erros de sintonia fina e, talvez – entendam o que estamos colocando aqui – um ou outro posicionamento a se ajustar naquela partida. Tudo segue, porém, no reino da suposição, tipo, “ah, se aquela bola do André tivesse entrado” ou “poxa, se aquele chute do Luan não tivesse ido tao alto”. Perceberam o que nós estamos querendo dizer aqui?

O trabalho do Grêmio é sério. O nosso time continua sendo o melhor da América e o melhor disparado do Brasil. Não duvidem disso de nenhuma maneira. O jogo de ontem pode, sim, servir de grande alerta para que nossa comissão técnica reflita e pense alternativas porque enfrentaremos muitas e sérias retrancas esse ano.

 

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