O Entrevero Pampeano

A Caravana da Miséria.

O jornalista e mandarim colorado Cláudio Cabral tinha várias tiradas. Uma delas era o nome que ele chamava o Gauchão: o Entrevero Pampeano. Um campeonato parado no tempo, aonde a gritaria e a violência imperam.

O Gauchão já foi um torneio importante. Já foi o ‘tira teima’ entre Grêmio e Inter. Até meados dos anos 70 era a única possibilidade de título dos times gaúchos. Mas o tempo passou. A possibilidade de títulos nacionais, continentais e até mundiais é real. Com isso, mandar no estado se tornou detalhe. E já na virada do século se tornou irrelevante, um fardo. A Caravana da Miséria. Um torneio aonde os times do interior pagam todas as suas contas quando os times da dupla grenal jogam lá, aonde uma emissora fica torrando a paciência com supostas crises e pedidos de demissão de técnicos que deveriam estar preocupados com a preparação para o que importa, que é o Brasileiro. Ou a Libertadores, quando o time está lá.

Querem uma ficha corrida do torneio nos últimos anos? Faz algum tempo que um time grande da capital estava sendo eliminado em casa e se inventou uma regra, que bola na mão dentro na área é pênalti, que só durou uma noite. Com a conivência da empresa que transmite o jogo e do capo di tutti capi da Federação, que elogiou o trabalho de seu árbitro. Tal apitador só caiu em desgraça quando teve o despeito de prejudicar o time queridinho da IVI, num jogo aonde ele também evitou, com suas estultices, três gols do adversário. Roubou pros dois lados, ouviu reclamações só por ter prejudicado um dos times. Nos últimos dois anos foram quebrados, em dois grenais, os dois jogadores mais importantes do time no ano, Bolaños e Geromel. O primeiro, maior investimento do time no ano, ficou um semestre fora. O outro ficou em recuperação um mês. Em ambos os casos o jogador colorado foi ‘inocentado’, no primeiro o jogador Gremista ainda foi acusado de ser ter ossos frágeis, pois o colorado ‘só’ entrou prá quebrar em cima dele, o que está no seu direito, quem mandou ele quebrar a mandíbula. Por sinal o cavalo colorado foi capa do programa do próximo jogo do time. Provocação punida com o rebaixamento no final daquele ano.

Divertido foi ano passado. Para prejudicar os Gremistas, e impedir que o clube usasse time muito reserva, se limitou o número de inscritos no certame. O colorado só inscreveu três goleiros… e eles se machucaram durante o torneio, deixando o time sem frangueiro para o jogo final. É claro que o time tentou rasgar o regulamento e inscrever mais um jogador para a final… mas era cara de pau demais até para eles. Já tinham tirado a final de Novo Hamburgo, prejudicando o time anilado que tanto puxou o saco do colorado nos últimos anos (lembram quando o colorado jogou um Brasileirão lá e o time, sem ninguém pedir, pintou tudo de vermelho por lá?).

Resultado: jogou o arqueiro que estava menos pior, e toda a imprensa se mobilizou para ninguém do Juventude chutar a gol o jogo inteiro, pois ia ser covardia. Assim se fez, o jogo acabou um a um, com gol contra de um colorado, vitória do time da grande Porto Alegre nos pênaltis. Poucas vezes dei tanta risada com o feitiço se voltando contra o feiticeiro.

2 comentários em “O Entrevero Pampeano

  • 27 de Janeiro de 2018 em 20:48
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    Muito bom, o gauchao morreu como competição. Virou corrida de cavalo, q é um troço tao viciado q ninguém acredita mais

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  • 27 de Janeiro de 2018 em 21:06
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    Excelente texto. Traz elementos da perversidade isenta que eu nem lembrava. Parabéns.

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