O Brasil que eu quero

Tendo a seleção brasileira jogado ontem – e vencido, o que nos dá mais tranquilidade para o prosseguimento na Copa, algumas palavras vieram-me à mente.

Foi, sem dúvida, a melhor apresentação brasileira até agora; não à toa foi contra a equipe que mais propôs jogo, que não se retrancou de maneira absurda. Interessante que toda a crônica gaúcha que veio com análises da partida, y compris Pedro Jabba Ernesto, foi unânime em dizer que a seleção pôde jogar porque o adversário não estava retrancado e, assim, o jogo flui melhor. Ora, Srs.! Pois vejam só! No Brasileirão, quando o Grêmio deparou-se com uns ferrolhos que apelidamos de esquema 10-0-0, esses mesmos cronistas de resultado vieram com dezoito pedras nas mãos a dizer que a retranca dos adversários era sinal da decadência do time do Grêmio e que isso significava o retumbante fracasso do Renato. Os arautos do apocalipse gremista são os mesmos que, agora, louvam a seleção que, segundo eles, conseguiu jogar melhor porque a Sérvia não se retrancou. Que paradoxo!

O jogo em si, então. Neymar, alvo de tantas críticas – e algumas deles ainda são merecidas – na partida passada, nesta, contra a Sérvia, serviu melhor ao time, em que pese ainda estar caindo demais para a esquerda e, por vezes, acabar sozinho lá na frente sem quem o acompanhe (Tite tem de resolver isso o quanto antes). Jogou em função do time, portanto, e isso é o que se espera de um verdadeiro craque. Claro que ele ainda teve alguns momentos “vou-me consagrar”, mas isso é natural e humano. Se ele fosse apenas pensar no próximo, seria Madre Teresa, não jogador de futebol. Gostei do que vi.

Houve mais toque de bola, mas a deficiência de ajuste de estratégia ainda preocupa. A entrada de Fernandinho não deu nenhuma nota diferente ao time, mas o que me inquieta sobremaneira é que, sem Douglas Costa, o Tite não tem opção ali para o lugar do William que, notoriamente, está mal.

Philipe Coutinho segue sendo o que merece maior aplauso nesta equipe. Decisivo, joga impulsionando o time para frente. Veloz, tem dado assistências que são vitais e, assim, poupá-lo ontem a certa altura do jogo foi acertado porque ele será essencial contra um México, na segunda-feira, que virá forte e rápido, querendo envolver e aproveitar as notórias falhas no nosso esquema defensivo. Pois, sinceramente, o nosso calcanhar de Aquiles é o goleiro abaixo da média, que não salta, não sai do gol e os dois defensores também aquém do que merecíamos, e isso com o Geromel no banco. Incompreensível.

Creio que o Brasil virá ofensivo contra o México e a nossa seleção passará às quartas. Para isso, o Brasil que eu quero, enfim, é um time ofensivo, copeiro e peleador; uma equipe aguerrida e que nos dê orgulho e alegria. Em suma, o que eu quero mesmo é a volta do Grêmio. Entrementes, porém, vou torcendo pela seleção e por uma performance que seja bonita e que nos dê gosto de ver.

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