Nunca nos esqueçamos do deserto

Fomos testados em nossa fé, em nossa paciência e em nossa capacidade de aguentar flauta.

Moisés, quando livrou seu povo da escravidão no Egito, vagou pelo deserto por 40 anos até chegar na Terra Prometida. Entre outros motivos, se acredita que Deus impôs este tormento ao  povo escolhido para que ele valorizasse a liberdade. Todos os escravos morreram durante a travessia, sobrando apenas aqueles que nasceram livres, que não iam aceitar ser escravos.

Não, o jejum de títulos acima do Mampituba de 15 anos (previsto pelo bruxo do Ilgo Winck em 2003) não pretendia matar todos os torcedores gremistas*. Mas foi uma jornada… complicada para todos. Fomos testados em nossa fé, em nossa paciência e em nossa capacidade de aguentar flauta. Houveram inúmeros momentos aonde parecia que o colorado ia dominar o mundo (algo que a imprensa dizia semana sim semana também, de forma apaixonada), ia se tornar o clube modelo para o futebol, que (como vários justinos argumentaram) devíamos adotar as teses e valores deles, pois nossos jogadores eram frouxos e os vermelhos eram melhores em todos os sentidos, e eles ainda tinham Blablalho, o guru… os gremistas que sobraram (quase todos, pois a torcida não diminuiu nesse tempo) firmaram a sua opção e devoção pelo time, provando sua fé, mesmo com tudo apontando para o outro lado. Acreditamos em grupos fracos, tivemos certeza que a coisa ia melhorar uma hora. Sempre acreditamos que o reerguimento chegaria, que nossa fé ia ser recompensada, que (como Baltazar disse uma vez) Deus estava guardando algo melhor prá gente.

Por isso, nessa hora que estamos alegres e comemorando nosso terceiro título em menos de um ano e meio, fica a sugestão: não nos esqueçamos da seca. Ela deixou nosso couro mais duro, nos deu resistência para aguentar críticas e ironias, vindas dos colorados e da imprensa. Queremos uma imprensa chapa branca? De jeito nenhum. O que não queremos são as (inúmeras) críticas maldosas perpetuadas pelos membros da IVI. Não queremos ver as virtudes do rival cantadas em prosa e verso enquanto nosso time é detonado, achincalhado e tem os seus feitos diminuídos por supostos isentos (dos colorados assumidos não esperamos nada diferente disso). E toda vez que sentirmos peninha dos colorados… lembremo-nos de como eles nunca tiveram pena e consideração com a gente na hora da flauta.

Portanto… é hora de comemorar. Rir, devolver as flautas que tomamos nesses últimos anos, se alegrar… e se preparar para os próximos títulos. Que virão. Não sei se esse ano (não podemos ganhar sempre), mas eles virão logo. O Deserto (e a seca) ficaram prá trás, agora é saber aproveitar a Terra Prometida.

PS: Nenhum interno do Hospício entendeu nosso presidente Romildo abrir seu gabinete para o presidente da IVI, Pedro Jabba. Um dia antes ele estava desmerecendo nosso título, sugerindo que a estátua de Renato fosse de seu traseiro ao invés de seu busto. Menos de meio ano atrás ele fez comentários homofóbicos sobre um jogador nosso, e nunca se desculpou (o grupo que o emprega deve concordar com isso, pois não deu nenhum gancho nesse sacripantas). Esse ser deveria ter sido expulso aos pontapés de nossa Arena, com a sugestão de ir se abraçar no barco vermelho que está afundando. Entendemos que nosso presida seja um ser bondoso, mas a presença de PED no gabinete presidencial lembrou muito uma raposa entrando no galinheiro, ou de um demônio sendo recebido no Vaticano pelo Papa, com toda a pompa e circunstância que ele não merece.

PS2: E o Gauchão? Vou usar uma visão do gremista Jayme Caetano Braun… certa vez ele estava declamando seu poema ‘Bochincho’, e o público não estava prestando atenção no velho pajador, rindo e falando alto. Quando chegou na parte do poema que alguém lhe pergunta ‘e a china?’, ao invés de declamar o final ele simplesmente disse, foi prá PQP e eu vou atrás. Como dizia Machado de Assis sobre uma guerra por uma plantação, ao vencedor as batatas. Não que eu não vá gostar de ganhar, de preferência com o time reserva, só prá ver a cara dos colorados e da imprensa.

*Mas vários ficaram pelo caminho, sem testemunhar o reerguimento do clube. Pensei muito em alguns amigos queridos nesses dias: Flávio Araújo, Mário Menezes, Humberto Priori, José Carlos Leão Russowski e Antônio Maguila, que eu tenho certeza que se não estavam fazendo nada melhor lá em cima ajudaram a direcionar a bola de Benitez para o corpo de Marcelo Grohe, e dali para fora.

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