Mérica, Mérica, Mérica… O Quatrilho Tricolor!!

A nau está capitaneada e com mão de um comandante espetacular.

Dalla Italia noi siamo partiti… Siamo partiti col nostro onore… certamente o patriarca da família Portaluppi que ainda no século XIX embarcou naquele navio saindo da Velha Bota cantarolou muito essa canção. E é essa relação que trago na noite de terça-feira, onde sozinho, em meu recinto, a assoviar tal cantiga fiquei. Não! Meus ancestrais, como sabem, vieram da Romênia, mas tenho um pouco de cultura, até porque tudo é Tricolor. Passados cerca de cem anos, lá em 1983, o herdeiro que melhor enverga o sobrenome nobre de origem veneta, nascido em Guaporé, criado em Bento Gonçalves e idolatrado por mais de 70% do Rio Grande do Sul foi responsável pela primeira Copa. A (re) conquista, mais de um século depois, veio por seu trabalho ao reservado em 2017. E que trabalho! Agora, diante do Atlético Tucumán, um dos melhores times da Argentina neste momento, o tema que embala a noite é o Quatrilho, como o filme aquele, que nos permite sonhar com este número até o fim. Sim, queremos o Tetra, restam quatro partidas e goleamos por 4 a 0 na Arena pelas quartas de final. Semiótica? Quiçá.

Permitam falar um parágrafo acerca do prélio. Tivemos uma leve pressão no começo, o que seria óbvio pelo resultado conseguido fora de casa e a certeza que somente uma hecatombe nos tiraria a classificação. Quando foi preciso, lá estava o melhor goleiro do Brasil, Marcelo Grohe. Passados os primeiros 25 minutos, onde demos espaço na meia cancha, não havia aproximação entre defesa e volantes, além dos atacantes não estarem servidos, encaixamos, começamos a fazer nosso futebol e o jogo veio a nosso favor. Chegamos em mais um momento de decisão, através de um carrossel aplicado taticamente, com respeito ao adversário, que ressalve-se, não deu um pontapé nem em sua casa e muito menos fora dela. Perdeu no campo. Tivemos pênaltis LEGÍTIMOS (ah… como seriam alguns times com o VAR…) e cobrados à perfeição.

Vivemos uma era mágica, que queremos persistir o quanto for possível (por isso é importante a permanência do Renato “Mito” Portaluppi, nosso Alex Ferguson dos Pampas, que sabe-se ficará). A América é nossa. E pode continuar sendo. Acreditemos, torcedores. Foquemos nosso pensamento apenas em apoiar o Grêmio. Aliás, estamos próximos também no Campeonato Brasileiro, sem abrir mão de um ou de outro. Podemos buscar os dois, mas claro, a prioridade é a Libertadores.

Estamos traçando uma nova rota, quebrando diversos paradigmas, como o de um campeão novamente chegar na semifinal, algo que não acontecia há muitos anos. Temos a força Azzurra que abriu mão lá daquele continente para buscar nova vida aqui em nossas terras. A nau está capitaneada e com mão de um comandante espetacular. Sem esquecer que Bolzan também tem origem em Treviso. O melhor ataque da competição. O melhor ataque do Brasil. A defesa menos vazada do país. E lá no fundo a vitrola anuncia que ainda funciona o Long Play, porque o Delfos, nosso semi-Deus, escutou meus silvos, aumentou o volume para nos abraçarmos em meio ao vinho tinto em uníssono aqui na engordurada cozinha…

Mérica, Mérica, Mérica, cossa saràlo ‘sta Mérica… Mérica, Mérica, Mérica, un bel gioco di Tricolore!!

Um abraço, Gui Zado, o Cozinheiro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d blogueiros gostam disto: