LENDAS URBANAS – O SCI NÃO EXISTE

Um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê

 

Quando a Meia-Noite me encontrar junto a você. Algo diferente vou sentir, vou precisar me esconder. Na sombra da lua cheia, neste medo de ser*… e assim, como a canção, lendas urbanas seguem pairando no ar, pelos céus do Rio Grande do Sul. Tempos atrás, um torcedor rival identificado salientou que o jogo mais tenso da história do Estado seria o dia que o Grêmio, (nosso Grêmio, o Tricolor dos Pampas, que há décadas rompe plagas e eleva seu nome em um patamar internacional), chegasse numa semifinal de Mundial. Entende-se a secação, pois logo mais, no dia 14 de dezembro, se recorda o Mazembe Day.

Aqui, direto da minha cozinha do Hospício, temos obrigação com a verdade dos fatos. Se os duendes não existem, os Little Strawberry também não.

Chegou a hora de desmistificar esses e outros causos, assim como a Salamandra do Jarau, o Neguinho do Pastoreio e o Saci-Pererê. Ora, vejamos, uma entidade que omitiu seu mascote, aquele que pula numa perna só, para assumir uma figura símia com apelido homônimo a um grande jogador que passou por sua casa, não pode ser séria. Ontem ainda chegou a informação de que três em quatro manchetes da IVI tratam o duelo desta terça-feira (12) com “e se o Grêmio perder para o Pachuca, como o SCI perdeu para o Mazembe?” “Como reagirão os torcedores em Al Ain com uma possível derrota?” e por aí vai. Nojo, asco, repulsa. Igual quando enxergamos a Mula Sem Cabeça pela frente. Embora este ser mitológico não cause tanto sentimento ruim, a rigor.

O Grêmio não perderá para os mexicanos. Porque ninguém chegou com soberba no Oriente Médio, como outrora desembarcaram os alvirubros. Lembramos que até radinho com sintonia fina foi distribuído para aqueles cerca de 1500 que viajaram para os Emirados Árabes em dezembro de 2010. Fora o jornal que chegava ‘fresquinho na porta do seu quarto’ e outros mimos. Por favor… não me venham dizer que o tratamento é igual. Sabemos que isso é falácia, assim como o boitatá. Nem queremos, na verdade. Apenas não toleramos inverdades. Aliás, seremos, ao menos, o dobro de torcedores, porque a maior e melhor torcida é a nossa, ninguém discute isso.

IVI sendo IVI

IVI sendo IVI2

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comecemos então a dissecar, como se faz com os mortos (um minuto de silêncio, shhhhhhhhhhh), as balelas contadas ao longo dos tempos.

– “Temos mais vitórias em clássico”. Ok, pode ser verdade. Mas analisem o contexto. Na década de 40, ocorriam dez ou doze jogos desses por ano. Era um tempo de vacas magras na Baixada e ali abriram vantagem nas competições de então. Porém, em competições nacionais e internacionais, não amistosos, citadinos e gauchões, a vantagem é totalmente favorável ao Grêmio, ou seja, no que vale, de verdade, estamos bem à frente, inclusive com 5 a 0 e baile. E vale lembrar que nunca levamos 10 a 0.

– “Ganhamos mais Recopas”. Filho, presta atenção. Esse torneio surgiu no FINAL dos anos 80, ou seja, se tivéssemos jogado em 84, provavelmente seríamos campeões também. É mentira que jogamos e perdemos. Ano que vem podemos igualar, com o MESMO número de participações. Analise o contexto.

– “Campeão de Tudo”. Já não eram antes de serem rebaixados e voltarem sem ganhar a competição. Nunca disputaram o Supercampeonato do Brasil, como o Grêmio fez e ganhou em 1990. Nunca venceram a Copa Sul, como o Grêmio em 1999. Também não ganharam a Taça Conmebol (ok, nós também não, mas é porque naquela época se jogava a Libertadores apenas, sem cair numa fase e ir para a Sul-Americana de agora).

– “Nunca ganharam a Suruga Bank”. Fazem uma festa para essa ‘competição estrangeira’, mas esquecem de um detalhe. O patrocinador, que é um banco japonês e comprou a competição,antigamente chamava-se Sanwa Bank. Tal torneio foi vencido pelo Grêmio em 1995, diante do Verdy Kawasaki, do Bismark, que era considerado um dos melhores times japoneses de TODOS os tempos, ao lado do grande Kashima Antlers de Zico e Alcindo. Vale o mesmo.

Sanwa Bank.

– “Ganharam a Libertadores esse ano jogando contra ninguém”. Veja bem, a competição iniciou com TRINTA títulos presentes. Se o Botafogo, Barcelona-EQU e Lanús tiveram a competência de eliminar Palmeiras, River Plate, Olímpia e outros, não significa que valha mais ou menos. Proporcionalmente, a Libertadores de 1983 tinha mais campeões do que a de 2006, por exemplo. Isso não significa NADA. Taça Libertadores da América é Taça Libertadores da América. Vocês estão atrás.

Foto Montagem @SeuOurives
Foto Montagem @SeuOurives

– “Hamburguer”. Vale fator semelhante para o item acima. Em 1983, a final da UCL foi diante de uma Juventus com meio time da Itália campeã do Mundo em 1982, mais Michel Platini, um francês que jogava muito. Os alemães dispunham de atletas da Seleção da Alemanha e da Oriental. Fazer jus ao nome do time no idioma local é o mesmo que alguns canais AINDA HOJE trocam o distintivo do SCI com o seu co-irmão de Santa Maria, por puro desconhecimento.

– “O Grêmio caiu duas vezes”. O Campeonato Brasileiro começou em 1971, em 2003 passou a ser de pontos corridos, mas nem por isso omitiram o tempo do Robertão e Taça Brasil. Ou seja, desde 1959 se disputam competições nacionais deste nível. E onde estava o ‘Copião de Tudo’.pdf em várias destas edições? O Grêmio, de forma ISOLADA, é quem mais disputou, com 59 participações. O Time do Aterro, do terreno invadido, esteve presente em 52. Seria octa-rebaixado?

– “Mimimi subiram em nono e no tapetão”. Escuta aqui, leia bem e deixe de fazer papel de otário. Ou faça, a escolha é sua. O regulamento da Segunda Divisão de 1992 foi alterado ANTES de começar a competição. Ou seja… assim sendo, os doze melhores da primeira fase teriam vaga assegurada na Primeira Divisão de 1993. A partir disso, seriam disputas apenas pela taça e melhores posições. Como a competição era deficitária, o Grêmio (e mais alguns clubes) ABRIRAM MÃO de continuar a jogar, visto que já haviam atingido o objetivo da vaga. Assim, o Tricolor partiu para uma excursão no exterior paga pelos Clubes que convidaram.

– “Fizeram DVD da Batalha dos Aflitos, que fiasco”. Para quem fez VHS do Campeonato Gaúcho de 1997, não resta mais nenhuma indagação mesmo, né? Ainda sim, ganhar um campeonato com sete em campo, dois pênaltis contra, na casa do adversário, levantar a taça e dar volta olímpica, mesmo que fosse no praiano, a valia seria igual. O Grêmio é Grêmio por ser Grêmio e suas grandezas.

-“Vocês são racistas”. FILHO, somos azuis, pretos e brancos. O primeiro time de Porto Alegre a aceitar negros, lá em 1925. Já leram sobre a Liga dos Canelas Pretas? Também não somos homofóbicos, como gostam de escrever nosso nome de forma pejorativa. Tivemos, com orgulho, uma torcida chamada Coligay, ao contrário de vocês que nunca aceitaram e vivem a fazer piadas ridículas sobre tal. Aliás, fatos isolados ocorrem em QUALQUER lugar, inclusive naquela área Premium onde o mesmo torcedor citado no começo deste artigo presenciou a mãe do Paulão sendo xingada pela cor da pele. Ou no mesmo ambiente que um lateral-esquerdo (punido por gestos obscenos), escutou cânticos e xingamentos por ser afrodescendente. Mas é fácil jogar pedra no telhado dos outros. Até hoje apenas UMA ENTIDADE paga pelo CRIME HEDIONDO em todo o Planeta, sendo que no Brasil não tem prisão perpétua. Em tempo, é INADMISSÍVEL a prática de injúria racial, racismo, homofobia, etc em todas as esferas.

– “O estádio não é de vocês”. Já leram o contrato da BRIO? Ok.

– “Temos mais títulos”. Vamos de novo, baseado SOMENTE nos sites oficiais de ambos. 197 x 108. E detalhe. Não chorem porque contabilizamos também os estaduais, metropolitanos e wanderpreis, pois vocês fazem o mesmo e somam até Recopa Gaúcha e o ‘VICE-OLÍMPICO de 1984, da Seleção Brasileira.
http://www.gremio.net/page/view.aspx?i=id_869
http://www.internacional.com.br/conteudo?modulo=1&setor=1&secao=255

Como diria a personagem aquela, não me venham com chorumelas. O foco total é no respeito ao Pachuca. E vamos em frente. Vamos em luta daquilo que importa para nós. O Bi Mundial. Os mexicanos são lisos, rápidos e perigosos. Entretanto, não tem no gol o Kidiaba, nem o Kalyituka pelos flancos. Se houver atenção e foco, jogando o futebol que encantou a América Latina, passaremos.

Enquanto isso, aquela parcela de 34,8% que gosta do vermelho, tenta de todas as formas desmerecer algo que não conquistaram. Mas lá embaixo (trocadilho infame), o som não chega tão forte como o daqui de cima. Por isso, chamem o Padre Quevedo, que nós aqui seguimos assoviando, um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê. Um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê.

* Música citada – Kleiton & Kledir (Canção da Meia-Noite)

 

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