HOUVE UMA VEZ UM GOLEIRO

Houve uma vez um goleiro. Criticado pela imprensa, esculachado pela torcida, inclusive torcedores ilustres, calejados no assunto futebol. Torcedores que viram os melhores goleiros das últimas décadas, e acabaram espelhando-os nele.
Esse goleiro era comum, como quase todos os outros. Pra alguns, um “braço curto”. Pra outros, um bom goleiro sem reconhecimento. Foi cavando seu espaço aos poucos. Não foram poucas suas boas atuações, mas a sombra chamada “reserva do tal” ainda o atormentava.
Até que houve o inevitável: algumas pequenas falhas e a chegada de um novo camisa 1…e por conseguinte, a sempre desgraçada comparação. Sim, quem está de fora sempre é melhor quando há erros de quem está jogando.
Eu mesmo fui seu crítico, embora ainda o considerasse um dos melhores disponíveis.
Mas ele cresceu dentro do clube, e com atuações seguras em momentos importantes, mudou inclusive meu conceito, e da maior parte dos Imortais torcedores. Porém, exigentes que somos, sentíamos que algo ainda faltava…talvez uma atuação que enchesse nossos olhos, de entusiasmo e de lágrimas! Talvez um título pra marca-lo de vez em nossa gloriosa história…
Aí veio o jogo! O estádio pulsando, o churrasquinho e a cerveja correndo rotos no entorno da Arena, um Renato apreensivo com algumas carências de seu escrete, dadas as amostragens do ano…e uma decisão, nas mãos do goleiro que outrora falhara, talvez por sentir a pressão de ser o “reserva que virou titular”, talvez na ânsia de ajudar, ou quem sabe pelo simples fato de querer provar ser merecedor da camisa 1 de um dos maiores clubes das Américas.
Lá estava ele, debaixo das traves. Três defesas de pênaltis que, mesmo com a incompetência de calejados cobradores que vestiam o mesmo manto e desperdiçaram suas cobranças, abriram o caminho para aquele emblemático título.
Qualquer semelhança não é mera coincidência. Essas linhas se referem a Marcelo Grohe, mas não haveria muitas vírgulas a substituir no que tange ao nosso ex-contestado Paulo Victor. Em uma das minhas recentes avaliações citei que “sua boa atuação me preocupava, pois o bom mofaria no banco”.
Confesso sem vergonha alguma que revi meu conceito após a final do Ruralito. E falo “sem vergonha” porque testemunhei a lenda Paulo Sant’Ana descascando o futuro ídolo e multi-campeão Marcelo Grohe, jogando-o aos mais ferozes tigres sem sequer te-lo avaliado com alguma precisão. Se o finado Sant’Ana, do alto de sua sabedoria e Gremismo cometeu semelhante erro, o mero aprendiz de escriba que sou não precisa se envergonhar por ter errado.
Nada na vida é definitivo, a não ser a morte e nossa superioridade no RS. Portanto, não estou colocando Paulo Victor na calçada da fama. Mas suas recentes atuações me convenceram de que tudo o que ele precisava era de sequência, confiança e apoio do torcedor. Sequência ele está tendo, apoio e confiança, bem…se após as recentes atuações, seguras e esbanjando personalidade, ainda faltar algo nesse sentido, é um sinal definitivo de que foi apenas uma boa fase.
Paulo Victor calou minha boca e a de muitos outros críticos. Eu adoro isso. Quero ser calado dia e noite por quem vestir nosso manto.
Obrigado PV! Mas não afrouxe a bombacha, porque aqui a munição é pesada.
Pra resumir e inflar nosso ego ao extremo, penso que temos uma .40 calibrada na mão, e caso ela negar fogo, temos um AR15 no banco.
Convenhamos, assim fica fácil ser torcedor.

2 comentários em “HOUVE UMA VEZ UM GOLEIRO

  • 19 de abril de 2019 em 22:07
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    Quando o Paulo Vitor veio para o Grêmio, lembro dele de outros clubes, mas não me passava confiança aqui, até que, sim, começou a jogar seguidamente, e bem, e nesse último jogo a pegar todas as bolas, do jogo, e depois dos pênaltis.
    Salve Paulo Vítor!
    Que feche o nosso gol.

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