GRENAL 415: “Eu acredito”!

Dizem que todos temos ao menos um grau de loucura ou insanidade.

Pois noite passada tive um sonho, quiçá pesadelo, no meu alojamento aqui no Hospício. Em meio à madrugada acordei com taquicardia, ofegante e pensando que aquilo estava muito real. Me permitam contar meus devaneios: era um jogo decisivo, em que o Grêmio tinha a vantagem, mas ocorria no campo adversário. Quando vi, lá estava eu em meio a um mar vermelho que xingava até a oitava geração de nosso Renato Mito Portaluppi. Não contente, me vi sentado em uma poltrona desconfortável, com a partida rolando. Sim, era um clássico! Pensei se tratar de sonho, porque tínhamos uma vantagem de três gols. Tive certeza de ser um pesadelo quando notei que não podia nem cantar “vamoooooo Tricolor, queremos a Coooooooopa…” sem ser notado. Eu não era espião. Também não era colorado. O que fazer? Tentei acordar, mas o relógio não despertou e me enredei na trama capciosa de uma arbitragem condizente com os blefes do capitão. Na minha frente, ali, o goleiro que fez a defesa mais incrível de todos os tempos, numa tal Guayaquil. Só que o Grêmio jogava com Bressan de titular. Nossa, os rubros rugiam que ali era o furo, que atacassem em cima dele, me cutucavam perguntando o que eu achava, mas minha voz não saía.

– PÊÊÊÊÊÊNAAAALTIIII!

Não era possível. Que momentos esquisitos que carregavam em minha mente, onde o subconsciente queria gritar, o coração quase parar, porém a serenidade cínica na face dizia que se falasse algo, seria assinar a sentença de sofrer uma agressão. Gol dos caras! Olhava nossa torcida, silêncio sepulcral, ao contrário de mim, que ao menos tossia para disfarçar e colocava a mão na cabeça, em um misto de angústia e dor. Sou louco, moro no Hospício, não costumo lembrar dos acontecimentos da noite passada, no entanto parecia tão viva a lembrança que dava até medo de acontecer um segundo gol e sofrermos sufoco no final.

Lá pelas tantas, uma falta inventada pelo safado do bandeirinha e ratificada pelo cidadão do apito deu esperanças ainda maior aos presentes no meu sonho, quer dizer, no estádio que abrigava o evento do meu pesadelo. Adivinhem quem bateria? O rapaz que costuma dar coletivas, ser assessor de imprensa, controlar o marketing, se achar diretor, criticar conselheiro, reclamar que não tem água e nem luz, mandar no presidente e goooooooollllll.

– MEU DEUS, exclamei!

E ali vi alguns olhares para mim. Não eram de paquera, embora houvesse uma loira, uma ruiva e uma morena perto. Perto não significa do lado. Entre vinte e um sentados, eu estava ali, no onze. Com dez de cada lado me fitando. Ainda restavam trinta minutos de jogo. Meu time não passava do meio-campo, tinha além do zagueiro aquele, a displicência do Jailson e a inaptidão do Cícero. Até isso! Certo que era pesadelo. Nosso treinador não escalaria tão mal assim. Onde estava Arthur? Por que Luan se escondia? O que aconteceria? Seis de acréscimos? Mais um? Gritos de “eu acredito” tomavam conta de meus tímpanos.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Confesso que graças a água que tomei antes de dormir, cerca de um litro, consegui me livrar daquelas imagens impertinentes que me assolavam. Levantei assustado. No escuro. Tateei a parede. Tropecei numa panela. Machuquei o dedo mínimo do pé direito. Até que encontrei o banheiro. Levantei a tapa. Mijei! Baixei a tampa. Puxei a descarga. Lavei o rosto. Me olhei no espelho ofuscado da luz do poste da rua. Ufa! Que pesadelo real dentro de um sonho irreal. Gritei CHUUUUPAAAA. Mas era tarde e me pediram silêncio, shhhhhhhhh, para o Inter que tá morto.

Um abraço, Gui Zado, o Cozinheiro que ficou quase cagado!

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