ÉVERTON NA RESERVA, SINAL DOS TEMPOS

Não faz sentido eu comentar jogos da seleção brasileira. Mas vou pedir aos deuses do futebol uma licença temporária.
Primeiro, vejo um Tite quase tão perdido quanto o interino Scaloni, da Argentina. Sim, achar que a melhora de seu escrete passaria por deixar Di María e Aguero no banco beira o ridículo. Então, Scaloni está mais perdido que ele. E para por aí.
Tite historicamente não possuiu perfil aguerrido. Pelo contrário. O que faz é correr abestado sacudindo os braços quando os times dirigidos por ele fazem um gol. Nada mais. As suas entrevistas derrubam o mais insone dos seres vivos – e nem falo só de humanos. Suas análises táticas e técnicas são ultrapassadas e equivocadas em todos os sentidos. Às vezes, inclusive, paro pra pensar se no famoso 7×1 fosse ele o treinador quantos gols a mais o Brasil teria sofrido. Se bem que a piedade e o respeito típicos dos europeus impediram a Alemanha de submeter aquele amontoado a vexame maior.
Nosso Éverton é o maior exemplo do que falo. Mesmo que eu não seja um aficionado da seleção brasileira, e que meu temor por boas atuações e o iminente interesse dos donos da grana, me mordo de raiva quando vejo a escalação sem ele. Por ser o melhor atacante brasileiro em atividade, e pelo tempo estar passando de forma impiedosa. Uma carreira travada, milhares de barões a menos em nossos cofres. Meu relato explica com clareza meu entendimento sobre a evolução meteórica e precisa do futebol Europeu, e por que nós Sul-Americanos paramos no tempo. Aqui idolatramos refugos, enquanto os Europeus buscam o que há de melhor, e caso não servir repassam, mesmo que percam dinheiro, o que prova que a questão não é financeira. Basta ver que eles possuem grana a valer, mas entenderam que gastar em Taisons, Patos, Freds e Luiz Adrianos da vida não compensa.
Éverton brilha no Grêmio, esculhamba os zagueiros nos treinos da seleção, é responsável pelas únicas jogadas incisivas da seleção brasileira (sim, quando empata ou perde é seleção brasileira, quando ganha é “seleção do Neimar” ou “seleção do Tite”), e mesmo assim amarga uma melancólica reserva vendo os galácticos empatando com a inexistente Venezuela.
Não quero ser chato, mas como já sou por natureza, vou repetir o que falei em 2010, após aquela semifinal em que acertei 3 dos 4 semifinalistas num bolão: visto as panelas que estão se formando na Conmebol e em seus afilhados, vai demorar uns 50 anos pra que um sul-americano seja campeão mundial novamente.
E não caio na falsa ilusão de que “a Argentina bateu na trave em 2014”. Não. Se Higuain marcasse a Alemanha empataria. Tinha a bala na agulha e a calma pra isso. Os europeus do primeiro escalão adquiriram o que falta a todos nós sul-americanos: aliar técnica, tática, dedicação, frieza e inteligência.
E citei a inteligência porque, além do campo, ela precisa ser aplicada no momento de convocar, escalar, substituir, orientar.
E com a mentalidade atual, levando-se isso tudo em conta, se passarão muitos outonos ainda.
Que os deuses do futebol tenham piedade da América.
E do Éverton Cebolinha.

Créditos Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

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