EU ESTAVA LÁ, E DE LÁ NÃO SAÍ

O futebol não permite deslizes. Eu não entendia muito bem isso, mas nada como situações ímpares pra clarear nossas ideias e expor nossa fraqueza intelectual.
Passamos mais de uma década confiando no time e apoiando desgraças que não poderiam jamais ter vestido o manto. Mas acreditávamos. Fomos de Baloy, Bilica e Capone jogar um Brasileirão, sabendo que no ano anterior fugimos da série B na última rodada. Fomos de Bruno, Élton e Pitbull. E acreditamos.
No malfadado ano de 2005, nosso herói treinou como zagueiro no início da temporada. Trouxemos os piores refugos que um clube do tamanho do Grêmio já trouxe. E acreditamos. Voltamos ao nosso lugar porque o herói que treinava como zagueiro fez aquela memorável defesa, e nosso cheque em branco que fez o gol do título evitou nossa falência a partir de sua venda. Estávamos todos lá, eufóricos. Jamais minha cidade recebeu tantos torcedores de um mesmo clube em seu calçadão.
Porque acreditávamos que a partir dali tudo seria diferente.
Encaramos uma temporada louca, um gauchão sobre o ex-tradicional-rival na casa deles com gol de nuca do Pedro Júnior, e pra não deixar dúvidas, revertemos placares absurdos no ano seguinte com o Olímpico sempre lotado. E chegamos a acreditar que bateríamos o melhor Boca da história após um 3×0 contra.
Não sei como você reagiu após o jogo de volta. Eu, no trajeto de volta pra casa, cantei nosso hino do início ao fim do percurso, sem me importar com os demais transeuntes.
Vivemos pra apoiar incondicionalmente um time com Pereira, Réver, William Magrão, Marcel, Perea, Soares, com Roth no comando…e praticamente sem reposição alguma, encaramos um Brasileirão até a última rodada com reais chances de título.
Passamos alguns anos ouvindo cornetas e foguetes, além de sentenças dilacerantes relativas às nossas dívidas e ao obscuro futuro que se desenhava.
E pra liquidar de vez com nossa moral, eliminações nas oitavas-de-final de quatro taças Libertadores num espaço de 5 anos, fracassos absurdos contra times frágeis em Sul Americana e Copas do Brasil…e nós, como reagimos? Ora, matamos tudo no peito, até os triunfos voltarem a aparecer e novamente nos deslumbrarmos.
Você estava lá em todos esses momentos, certo?
Muito bem. Embora a memória de muitos torcedores seja curta, cada um deve lembrar vagamente de cada alegria e tristeza vivida ao longo desse espaço de tempo. Torcemos pra monstrengos de time, apoiamos jogadores que em quase tudo lembravam atletas das mais ocultas várzeas dos rincões pampeanos, lotamos vans, ônibus, estádios, ruas e avenidas tomamos e pintamos de azul…porque acreditávamos!!
Os títulos recentes talvez nos tenham acostumado mal. Nossa supremacia em todos os aspectos pode ter tirado nosso foco. Mas um traço jamais se perderá.
Nosso clube é peleador, é raçudo e é copeiro! A fera pode ter brevemente adormecido, mas ela voltará. Acreditei quando os tempos eram nebulosos, acredito mais ainda agora. Os mares aparentemente calmos escondem muitos perigos, em especial quando confiamos demais na calmaria. Quando o mesmo se agita, emite seu alerta: tenha cuidado!
O Grêmio descobriu sua pequena turbulência no melhor momento possível. O alerta foi dado, mas não se iludam. Não é só elenco, direção, treinador. O alerta é pra torcida! Façamos nossa parte…esse é o momento.
Quem apoiou Bilica, apoie Geromel. Quem apoiou Adão, feche com o Tardelli. Você que esteve com Nunes, lembre que a realidade é Maicon e Matheusinho. E aos que um dia acharam que Bruno seria o novo Ronaldinho, entendam que Luan (estando 100%) e Jean Pyerre são nossa realidade.
Mas acima de tudo, caprichem na lotação da Arena, gritem e apoiem até o fim.
Quem foi torcedor debaixo de temporais não pode se mixar por uma garoazinha que sequer umedece o manto.
Cada vez que a camisa Tricolor entra em campo, entra um pouco de cada um de nós. Cada partida é uma nova cena desse espetáculo chamado “Torcer e amar o Grêmio incondicionalmente!”.
Não deixemos jamais a cortina se fechar.

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