É fácil falar

Chega um momento que fica fácil falar do futebol do Grêmio.

Estamos jogando um futebol ao mesmo tempo bonito e eficiente, tonteamos os adversários, ganhamos bem. Acabamos de empilhar duas goleadas de 5 a 0 em casa contra times bons. Poderia falar da minha alegria de ver um time relativamente barato como o Grêmio jogar mais bola que os times milionários do centro do país.

O grupo que montou o Hospício começou a se juntar em 2012, num grupo de Facebook. O grupo de whatsapp demoraria alguns anos para aparecer, e foi criado para podermos chingar Luan sem sermos importunados por um dos membros da turma (isso enquanto não tínhamos nos acostumados com o jeito dele, que está com a mesma cara quando faz um golaço que quando perde um gol imperdível. Nosso colega reconheceu de cara o craque que demoraríamos um par de ano prá reconhecer). Éramos sofridos, víamos o inimigo ganhar um título atrás do outro e temíamos a possibilidade de nunca mais ganhar. E torcíamos para o que tínhamos disponível (adiantava querer algo melhor?). Ao mesmo tempo víamos a imprensa exaltar as qualidades, reais e imaginária, do adversário, e debochar do que tínhamos. O colorado estava num momento melhor? Estava. Era de se esperar que fosse mais elogiado que o Grêmio? Era. Mas nada parecido com o que a imprensa fazia na época. Era terra arrasada prá um lado (o nosso) e glorificação prá outro (o deles). Uma festa.

Aos poucos começamos a preparar um grande time, ao mesmo tempo que o inimigo crescia em soberba. Sentíamos que em algum tempo teríamos um grande time, ao mesmo tempo que o inimigo se iludia, acreditava que o bom momento iniciado em 2002 duraria prá sempre. Foi um processo doloroso, com derrotas e feridas que ainda doem. E a imprensa? Do lado do colorado, debochando que gastávamos menos que eles, gozando que ‘não ganhávamos nada há xx anos’… alientando a mania de grandeza do torcedor inimigo.

O jogo finalmente virou em 2015. Poderia escolher outro momento (eleição de Romildo, por exemplo), mas o grenal do dia dos pais desse ano, o dos 5 a 0, é emblemático demais. Ali sabíamos que o mau momento tinha passado prá trás, que a nuvem negra que o bruxo do Ilgo Wink havia visto no final de 2002 havia passado, tinha saído da Arena e tinha ido pro outro lado.

Como eu disse ali em cima, é fácil demais elogiar o time hoje. Melhor que isso é lembrar que isso é parte de um contexto, que esse momento bom não está acontecendo pro acaso. E que esse grande momento pode durar bastante tempo.

Não estamos bem por acaso.

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

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