Dicionário de Jornalismo Esportivo Gaúcho

Por GRINGO VELHO

Depois de muitos anos de observação do jornalismo esportivo gaúcho, resolvi trazer para você, jovem, um dicionário básico para o entendimento desta praga que assola estes pagos do RS. Trata-se de *quase* uma Rosetta Stone que te permitirá decifrar para o português a desfaçatez deles. Boa-sorte e coragem!

Dicionário de Jornalismo Esportivo Gaúcho

ÁRBITRO, substantivo masculino

Humano incriticável porque “erra e acerta para todos os lados”, apesar do largo emprego de jornalistas especializados em arbitragem, que supostamente servem para observação crítica. A observação da humanidade dos árbitros tb é conhecida como “Constante de Adroaldo-CornetadoRW”

ARREPENDIMENTO, s.m.

1. Sentimento do PÚBLICO que se segue ao ato de ler, assistir ou ouvir o jornalismo esportivo gaúcho;

2. Ato de falsa contrição, feito após a divulgação de vídeos/audios homofóbicos e/ou caluniosos contra jogadores, bairros do entorno da Arena ou clubes de futebol, seguido de farto deboche pelo PÚBLICO;

3. Merda, como na frase “Sabemos que não é sério, não me venha com este arrependimento!”.

B, símbolo/adjetivo de 2 gêneros

1. Série do futebol que, quando disputada pelo CLUBE DE PREFERÊNCIA dos jornalistas organizados vermelhos, se tornou glamurosa, fácil, heróica e salutar.

2. Local onde anteriormente existia o “inferno da segundona”;

2. Paraíso mítico para onde vai o jornalista organizado vermelho ao deixar esta vida, conhecido simplesmente por “Baraíso”. Vale lembrar as palavras de Biori, o observador: “Seu corpo se tornará em couves, seu nome em Campeonato Gaúcho, mas sua alma conhecerá o Baraíso!”. Aos falsos e injustos que renegam a crença na existência do Baraíso, como se tivesse havido erro de digitação do sábio Biori, informo que Biori nunca esteve errado.

BOLHA, substantivo feminino

Campo de força criado pelos jornalistas gaúchos, com objetivo de afastar qualquer realidade indesejada.

CLUBE DO CORAÇÃO, s.m.

Clube de menor importância (ou nenhuma), para o qual o jornalista finge torcer, mesmo que pululem fotografias e tuites dele em outras camisetas, que coincidem mais com suas opiniões.

CLUBE DE PREFERÊNCIA, s.m.

Clube para o qual o jornalista torce, apesar de não o assumir, exceto em situações como demissão, expectativa de grandes conquistas ou doença fatal. Muitas discussões sangrentas foram travadas sobre se o fato de não assumir configuraria segredo ou não. Professor B.Valasof da Universidade da Cracóvia sustenta que sim, o fato do jornalista acreditar que algo sabido por todos em vista da sua parcialidade e falta de profissionalismo não altera o “intencious secretulis”, ou seja, a vontade de enganar o PÚBLICO. Já o filósofo R.E.Xeverme, também da Cracóvia, em sua tese “Isento é o Fim do Reto”, elabora que em tempos de rede social, esperar que seja segredo é coisa de mentes insanas, ou de profissionais tão ineptos que vão parar naquela rádio que transmite esportes 24h. Dias depois da publicação desta tese, Xeverme foi encontrado morto com uma cópia de sua publicação “enfiada no lugar onde é isento”, como disse o Prof.Valasof ao ser preso.

COLUNA, s.f.

Punição dada ao PÚBLICO que prestigia determinado radialista, fazendo que não apenas tenha o dissabor de ouvir as lorotas, mas passe também a ler.

CONJECTURA, s.f.

– Vide verdade

DEBATE, s.m.

Tagarelice e gritaria entre vários jornalistas, quando discordam sobre qual mentira se afigura melhor.

ESTÚDIO, s.m.

Terreno fértil onde abundam jornalistas, por motivo semelhante ao que justifica nos esgotos existirem muitas baratas.

FACULDADE DE JORNALISMO, s.f.

Local onde são fornecidas vacinas para prevenir o aparecimento de diversas doenças como o bom-senso, a imparcialidade, a razão e a moralidade.

FGF, s.f.

Lagoa de lava no inferno, onde habita um demônio vermelho novo e velhaco, que recepciona as almas de jornalistas caídos com churrascos de salmão. Apesar disto, conforme nota o ilustre teólogo Drogo Pricorn em seu tratado “Das Pipocam in Salm?”, isto em nada prejudica os jornalistas em questão que permanecem vivos e produzindo, já que é fato conhecido que não necessitam nem diploma, nem alma.

FONTE, s.f.

1. Vozes obtidas como efeito da cachaça na imaginação de um sem-vergonha;

2. Ser imaginário ao qual são atribuídos os erros do jornalista.

FURO, s.m.

Ato do jornalista ao dar uma INFORMAÇÃO semelhante ao cacarejo da galinha quando bota um ovo, com as diferenças que um ovo tem utilidade e é real, e a galinha possui superioridade para se expressar.

GRENALIZAÇÃO, s.f.

1. Resposta padronizada para qualquer cobrança, pelo PÚBLICO, de que o jornalista se conduza com isenção e coerência nas opiniões;

3. Matéria prima para ações de INTERESSE PÚBLICO do jornalista comparando alhos com bugalhos.

HONRA, s.f.

1. Mal que sujeita o sofredor às agruras da consciência. Felizmente a classe jornalística esportiva gaúcha desenvolveu imunidade a esta doença;

2. Mostra de afeição dada ao jornalista pelo PÚBLICO, como em “O jornalista Suínius Mortandeli recebeu HONRAS pelo público presente na Arena.”

INFORMAÇÃO, s.f.

1. Conjectura;

2. Boatos a serem divulgados rapidamente (vide também FURO)

INTERESSE PRÓPRIO, s.m.

– Vide interesse público

INTERESSE PÚBLICO, s.m.

Qualquer ato, opinião ou polêmica que possa ser capitalizada para o jornalista independente da ética e de quem possa atingir.

JORNALISMO ESPORTIVO, s.m.

Vandalismo com palavras.

LINHA EDITORIAL, s.f.

Molde de chumbo quente pelo qual passa o jornalista de boa-fé tantas vezes quantas forem necessárias até tornar-se igual aos demais colegas.

MENTIRA, s.f.

1. Explicação sobre fatos contrária ao desejo do jornalista;

2. Esclarecimentos pertinentes de alguém à quem o jornalista atribuiu falsidades.

MICROFONE, s.m.

1. Objeto eletrônico no qual falam incessantemente os jornalistas gaúchos, como se o odiassem;

2. Mentor da revolução das máquinas contra a humanidade no futuro.

NADA, s.m.

Período de tempo compreendido entre a última competição de um ano até o início da primeira do ano seguinte, onde cai a fertilidade das notícias e aumenta a fertilidade dos jornalistas gaúchos.

NOTA, s.f.

Declarações oficiais que serão valorizadas ou ridicularizadas pelo jornalista conforme seu CLUBE DE PREFERÊNCIA.

OTA, s.m.

Designa na teoria psicanalítica uma das três estruturas do aparelho psíquico do jornalista, substituindo o que nas demais pessoas seria o EGO. É o responsável por transformar os impulsos que vem do ID em palavras, atos e fatos. Nas demais pessoas o EGO transforma os impulsos do ID em razão, mas nos jornalistas o ID junto com o OTA os transformam em delírios com aparência de razão.

PÚBLICO, adjetivo/s.m.

1. Massa de manobra;

2. Coletivo de otários como em “José vendia assinatura de ZH para o público”;

3. Pessoa que consome notícias como se necessitasse e, assim, sustenta o jornalista como se fosse uma infestação de vermes no intestino;

4. Sujeito de afrontas diárias por parte de jornalistas e empresas de comunicação, mas que por estes é considerado incapaz de qualquer objeção.

QUESTÃO, s.f.

1. Sinônimo de pergunta;

2. Célula mater da desinformação;

3. Ato pelo qual o jornalista produz vento nos pulmões, criando pressão através das cordas vocais, resultando em sons reconheciveis como palavras, com um propósito de causar reações identicas em outrem. O pesquisador médico do Ealanzt Inzktutte de Vlazty, Dct. Yassable Missui complementa “…e este fenômeno é ainda mais impressionante porque prescinde totalmente do uso do cérebro ou mesmo da existência de um”.

REDE SOCIAL, s.f.

Nêmesis do jornalismo esportivo gaúcho. Criança pura que gritou “O Rei está nu!”.

REPÓRTER, s.m.

1. Forma embrionária de jornalista. Apesar de terem sido traçados paralelos entre o desenvolvimento de repórteres em jornalistas e girinos em sapos, a forma “jornalística” é bastante mais complexa, eis que não apenas pode se reproduzir enquanto ainda não madura, mas também há casos de reprodução jornalista-repórter. Mais: jornalistas frequentemente se alimentam de repórteres. Existe caso famoso, inclusive, de um vegetal se alimentar de reporter, no caso um velho carvalho se alimentando de uma reporter no mato.

2. Tipo de vento que no RS nunca pára de assobiar, com efeitos devastadores ao bom-senso.

RETRATAÇÃO, s.f.

Enquanto remanescem caçadores de Yeti, do Abominável Homem das Neves, Monstro de Locke Ness e do Eldorado, o último homem que acreditava encontrar retratação por erro dos jornalistas gaúchos faleceu em 1957, em Rondinha, Litoral Norte.

SALMÃO, s.m.

1. Peixe de sabor forte, apropriado para mitigar o amargo deixado na boca do jornalista quando é forçado a engolir qualquer orgulho próprio que ainda possua por dinheiro;

2. Moeda utilizada para compra de fantoches.

TABLÓIDE, s.m.

Jornal sério no RS

TUDÓLOGO, s.m.

Jornalista cuja especialidade abrange tudo, com a profundidade de um sapo esmagado no asfalto da BR-101.

ÚLCERA, s.f.

Subproduto da leitura ou audiência continuada do jornalismo esportivo gaúcho.

VERDADE, s.f.

1. Versão do jornalista, conforme a FONTE;

2. Roupa de baixo masculina, como na frase “Cada qual tem a sua verdade!”.

VESTIÁRIO, s.m.

Local de reunião de jogadores e comissão técnica para troca de roupas, banho e conversas. Conforme sabedoria dos jornalistas gaúchos, existem dois tipos: 1. O vencedor, conhecido como unido e 2. O perdedor, conhecido como rachado. Esta teoria, largamente empregada, indica que em um campeonato com 20 clubes, temos apenas UM vestiário unido para DEZENOVE vestiário rachados. Esta teoria unificada do vestiário (TUV), é também conhecida como Lei Adroaldo.

VIDA PESSOAL, s.f.

1. Se de jornalistas, patrocinadores de jornalistas ou jogadores do clube “para o qual não torce”, um bem sagrado e inatacável e que JAMAIS justifica comentários;

2. Se dos demais, matéria prima para obter INFORMAÇÃO conforme a FONTE e de INTERESSE PÚBLICO. Como salienta o prof. Diogines Zuman, da Faculdade de Comunicação de Zalustria “Se ninguém nega a informação, estou autorizado a pensar o que quiser. E mesmo que não possa confirmá-la, exceto em meus sonhos, posso divulgar através de charadinhas e indiretas”.

XILIQUE, s.m.

Ato de indignação, modéstia e coragem, segundo os jornalistas, se feito por seu ídolo argentino.

ZEBRA, s.f.

1. Em zoologia, animal assemelhado ao asno, em preto e branco.

2. Em jornalismo, asno assemelhado à ser humano, escrevendo em preto e branco, divagando sobre quem é mais improvável vencedor em uma partida de futebol.

*GRINGO VELHO é pseudônimo de Leo Carrion

Twitter @letocarrion

4 comentários em “Dicionário de Jornalismo Esportivo Gaúcho

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