As Novas Regras

O RW tá certo, é duro ser gremista no RS.

Uma das peculiaridades dos jornalistas gaúchos é como eles não se contentam em apenas fazer o seu trabalho, eles se embrenham em funções extemporâneas, como inventar regras e passar a defendê-las , como se fossem parte dos Dez Mandamentos e tivessem que ser defendidas por qualquer pessoa de bem. E, curiosamente, essas regras sempre são a favor do lado vermelho da força, e contra o azul.

Em 2014 o colorado estava perdendo um jogo eliminatório por 2 a 0 em casa, contra o poderosíssimo Cruzeiro de Porto Alegre, quando o juiz inventou um pênalti quando a bola bateu na mão de um zagueiro cruzeirense dentro da área. Bateu, sem intenção, mão ao lado do corpo. Tivemos um escândalo midiático? Não… na mesma hora apareceu uma norma da FIFA que era prá fazer isso mesmo, o juiz tava certo. Assim durante o transcorrer do jogo ele deu dois pênaltis e expulsou um zagueiro do Cruzeirinho, garantindo a classificação colorada (nos pênaltis). Com a benção das três IVIs que existiam na época (do centro, da Ipiranga e do Morro, a do Orfanatrópio ou não existia ou era muito incipiente prá ser levada a sério). Nenhuma indignação, nenhuma ironia. E a tal regra só valeu por uma noite.

Ontem houve algo parecido. Estava havendo rodízio de faltas, o juiz avisou que na próxima ia ter cartão (o que eu já acho que é administração, que tinha que ter dado cartão antes, mas vamos lá). Um jogador que já tinha cartão dá uma joelhada nas costas de Luan. Vermelho. Sem discussão? Nããããão… o comentarista de arbitragem da TV disse que era prá expulsão, mas foi só voltar do intervalo que começou com uma tese que era lance prá expulsão mesmo… mas que tinha que ter ‘administrado’ (neologismo para deixar o pau cantar), preserva o espetáculo (da pancadaria, só que seja)… uma aula do que se chamava de acomodar o jogo. Como diria nosso guru RW, uma aula de como funciona a cabeça do Texas selvagem.

A tese foi assunto todo o segundo tempo. Saraiva a adotou a partir do primeiro gol gremista, e seguiu fazendo variações sobre o mesmo tema o jogo inteiro. Só lá pelos 30 minutos lembrou de dizer que o Grêmio era melhor que o Brasil mesmo (que bom que ele reconhece…). Claro que depois do jogo o torcedor gremista foi proibido de vibrar com o título, pois tinha sido obtido com ajuda da arbitragem, o juiz foi rigoroso (como a IVI chama quando o juiz cumpre a lei para os gremistas). Ninguém lembrou do antifutebol do Brasil no primeiro tempo, das três faltam em quatro minutos, da pancadaria generalizada… a choradeira chegou ao seu ápice no programa do Rafael Vermelho Colling, que abria o microfone prá todo mundo que queria reclamar da parcialidade do juiz e se queixar que segundo cartão amarelo é vermelho. Adivinha em quantos estados isso foi polêmica? Pensa num número ímpar menor que dois, e num estado separado do resto do Brasil pelo Mampituba.

Assim, o que devia ser uma manhã de comemoração por uma goleada amanhece, pelo menos para os órgãos oficiais da IVI, como uma polêmica. A julgar pelo azedume do capitão Rech essa vai ser uma semana longa, com choro e ranger de dentes. O RW tá certo, é duro ser gremista no RS.

Um comentário em “As Novas Regras

  • 2 de Abril de 2018 em 14:11
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    Em 2009 falaram que o Gaciba acertou em não expulsar o guinazu na falta que origina o gol do Souza, porque iria estragar o grenal, a ivi se repete.

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