AS LIÇÕES QUE A BOLA ESTÁ TENTANDO ENSINAR

É consenso que o Grêmio não vem sendo Grêmio. É flagrante que nada dá certo. É nítida a falta de tesão de alguns jogadores. Salta aos olhos os equívocos cometidos em 2019 (iniciados ainda em 2018), tanto por integrantes da direção, como por Renato e sua comissão técnica. Não é de hoje que venho batendo nessa tecla, muitas vezes sendo duramente criticado, em outras sendo alvo de chacota.
Existe uma verdade incontestável por trás de tudo isso: 2 pontos em 15 e a miserável zona de rebaixamento. Uma primeira fase de Libertadores com classificação na bacia das almas, em um grupo nível 4 (pra ser bem generoso) numa escala de 1 a 10. E pra finalizar, um gauchão ganho nos pênaltis contra um dos times mais modestos entre os da elite, endividado, sem repertório, que vive de lances de sorte e balões pra área. Em casa. Sim, aonde outrora metíamos 5×0, 4×1, contra escretes melhores do que este que figura nessa temporada com a camisa vermelha. Não acho que seja pouco. Tampouco muito pouco. É deprimente! Renato ganhou tanto que viu-se no direito de reivindicar uma estátua. Levou. Tudo bonito (menos a estátua), cerimônia digna de Óscar, emoção, blablablá. Só que o recreio acabou. Aí volta-se pra sala de aula e o que encontra-se é a matemática. A frieza dos números, como sempre, é inexplicavelmente maquiada com palavras, promessas, apostas…a direção, que tão bem trabalhou nos últimos anos, vê um de seus patrimônios fazendo um gol contra por jogo por estar improvisado numa função que não sabe desempenhar, e vê um volante que não farda no Esportivo de Bento ocupando seu lugar. Traz um craque a peso de ouro e o afasta porque “sentiu a diferença de metodologias”. Vê que não tem meia armador (terá em Jean Pyerre, mas ainda não é a afirmação que tanto necessitamos), não tem zagueiros suplentes, laterais esquerdos a nível de titularidade…trouxe o Galhardo pra assistir o mediano Léo Gomes e o decano Léo Moura à sua frente. Observa passivamente Renato justificando o injustificável, com metade do cérebro pensando na estátua e a outra metade nas praias cariocas. Ah, sim…maio, quase junho. Mais um inverno que se avizinha. Três invernos sulinos consecutivos. Terrível, mesmo com 900 barões mensais na guaiaca.
Não é demitindo um ou dois integrantes da diretoria ou da comissão técnica que o problema será amenizado. Sim, amenizado, pois resolvido parece que só em 2020, se a ruindade dos demais nos permitir. É preciso chacoalhar o vestiário, principalmente enfiando na cabeça de alguns o tamanho do clube que defendem, e o que significa vestir o Manto, honrar e se preciso comer grama em nome dessas três cores.
Quem sabe não vejam alguns vídeos de Dinho, Goiano, China, De León, Rivarola…ou mesmo de Kannemann, um dos que não deixaram a soberba subir à cabeça, mesmo servindo seguidamente sua seleção.
O problema do Grêmio é puramente institucional. Ou seja, facinho de ser resolvido. A quiropraxia me ensinou que um pulso firme resolve muitos problemas, embora doa muito na hora.
Que seja feito imediatamente. Há tempo, há material humano, e pras peças que faltam há dinheiro em caixa. E acima de tudo isso, há uma torcida apaixonada, que jamais desistirá do Imortal, mas que espera uma resposta pra anteontem. Seguir apoiando sempre, esse é o espírito. Mas muitas coisas precisam de um 180 graus. A parada pra Copa América pode ser um alento… tudo vai depender de como esse tempo será aproveitado, e o que acontecerá no hiato entre a partida “de chorar” contra o Ceará e a última partida antes da pausa.
Figa de todos pra que esse período sirva pra aprender as lições que a bola está tentando nos ensinar.
Só assim a foto da careca do gordinho recebendo o beijo do Renato terá alguma chance de se repetir.

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