ANOTEM: O Brasileiro é realidade!

Ninguém provoca Cruel à toa…

Larguei a cozinha bagunçada, ainda indignado pela noite mal dormida de quarta para quinta-feira, cansado e descrente para ir até a Arena do Grêmio mais uma vez neste sábado. Confesso que quando ouvi a escalação pensei que iria me irritar novamente, até porque do outro lado o misto era quente, com jogadores que desequilibram diversas partidas. Começou o jogo e estávamos melhores, mas o gol não saía. Até que um pênalti bem assinalado (incrivelmente sem VAR e contra o Flamengo), deu a momentânea felicidade e o desgosto profundo (até minutos depois). Como Jael, logo ele, tão querido da nossa torcida, bateria TERRIVELMENTE na bola? Era para estufar a rede com um foguete no meio do gol. Mas aquela cera do Diego Alves, que quando estava tudo pronto, saiu da meta para tomar água e secar as luvas, desconcentrou nosso nove. No entanto, ninguém provoca Cruel à toa e esse erro da marca da cal viraria a chave do confronto.

Sim, loucos como nós e que agora me leem aqui, Jael se transtornou! Voltou, deu carrinho, buscou o jogo. Mas não era apenas ele. O elenco estava a fim da disputa, de mostrar serviço ao Renato “Mito” Portaluppi. Uma atuação positiva de Thaciano, segurança de Paulo Miranda, a postura tática de Pepê, tranquilidade de Paulo Victor, a maestria sempre de Douglas, a disposição do Cortez, que fez diferença no lado esquerdo, pela sua volta, enfim, todos. Assim, o Tricolor foi à luta e construiu o resultado em três minutos. Aos 46’ do primeiro tempo e aos 2’ da etapa complementar. Em espetacular cruzamento da direita de Leonardo Gomes, Jael atropelou marcador, Marinho, bola e testou forte no canto do arqueiro oponente. O sangue que escorria em seu rosto na comemoração pelo choque com o companheiro simbolizou o bom momento. Sequer retornou para o gramado. Foi direto ao vestiário para fazer um curativo, pois logo em seguida encerraria a parte inicial. A Lei do Ex é infalível. E ela se fez presente.

Também foi do centroavante Tricolor, logo após o regresso do vestiário, a grande assistência para Marinho (que m*rda) que não estava tão bem, levou um choque de realidade nos 15 minutos de descanso (aqui no Hospício costumam injetar adrenalina em alguns) e conseguiu marcar seu primeiro tento com a camisa azul, preta e branca (a mais linda do Mundo). Sim, a bola veio da intermediária, Douglas deu uma casquinha na bola, chegou em Jael que fez o lançamento preciso de imediato para Marinho, que também com apenas um toque na bola, de pé esquerdo, marcou no contrapé de Diego Alves. Foi a noite de Jael. Errou pênalti, fez gol, sangrou, deu assistência, desarmou no meio-campo, avançou em velocidade, segurou a bola no ataque, liderou o time, sentiu câimbra, saiu na maca, levantou, voltou para campo e só saiu sob aplausos da Nação Tricolor ao término do prélio.

Aí alguém irá dizer:
– “Ai, esse resultado tinha que ter feito na Copa do Brasil, não no Brasileiro!”.
Ok, se fosse ANTES dos jogos, eu também pensaria isso, embora eu queira sempre vencer. Sempre. A todo custo. E temos mais 90 minutos daqui 11 dias. Agora, digo aqui: o Brasileirão será NOSSO, como em 1996. Com aquela sequência, Copa do Brasil, Libertadores, Cafezinho, Recopa… Mas não atirei a toalha em hipótese nenhuma para o dia 15 de agosto. Até já escrevi AQUI as razões para acreditar. E digo mais. Essa, deste sábado, será mais uma, porque mesmo cansado pelo jogo do meio de semana, o Flamengo esteve em campo com meia dúzia de titulares. Nós, apenas com reservas (Cortez não atuou na Copa do Brasil). Então, com força máxima, brio, vontade, podemos calar outra vez o Maracanã em breve. Por enquanto, somar pontos nesta competição corrida é importantíssimo. E estamos só quatro atrás do líder, ANTES de encerrar o turno.

A Libertadores é obsessão, daqui três noites estaremos em Quilmes para enfrentar o Estudiantes (como em 1983, naquela Batalha Campal), estamos vivos na Copa do Brasil e, acima de tudo, temos elenco para o ganharmos o Nacional. Queremos o Tri, o Hexa, o Tetra, não necessariamente nesta mesma ordem. Hoje até ficarei feliz em lavar a louça engordurada com aquela água congelante que cai gota a gota na torneira da Cozinha do Hospício. Nada me fará infeliz. Nem os urros grotescos do Volódia assistindo seus vídeos da antiga União Soviética antes de dormir.

Um abraço, Gui Zado, o Cozinheiro

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