A vã filosofia da IVI

Coluna do Leitor

Quem se dispõe a ouvir algum dos chamados programas debates da IVI – esclareço que o fiz recentemente, só por motivos ‘investigativos’ e para escrever estas linhas – aprenderá ‘de grátis’ um pouco de filosofia.

Isso ocorre porque as falácias são o principal e mais abundante recurso utilizado nestes papos de elevador entre colegas de empresa, elevados a condição de programas transmitidos por FM e internet.

É mais fácil entender o que é falácia quando se descobre que a palavra tem a mesma origem do termo em inglês adotado pela rapaziada para apontar aquilo que falha – fail, neste caso falham os “raciocínios” dos debatedores, os quais parecem lógicos, mas levam a conclusões falsas e, por isso, podem enganar e iludir.

No momento, Renato, o gremista mais odiado pela IVI, é o alvo preferencial da artilharia de falácias dos tais programas. Vamos ver alguns tipos usados em exemplos hipotéticos, mas baseados nos fatos reais destes dias.

Há a falácia que consiste em deturpar um argumento do debatedor para usá-lo contra o interlocutor:

Ivista débil: “É preciso entender que os valores em dinheiro do futebol não são os mesmos de outras atividades profissionais assalariadas. ”

Ivista hidrófobo: “Lá vem essa turma dizer que o Renato merece ganhar um milhão por mês”.

Se o ouvinte não prestou atenção ou escutou o comentário do débil pensará que ele defende o pagamento de um salário milionário para Renato.

Outra falácia cada vez mais usada pelos ivistas é a que ataca o debatedor que expôs um argumento, ou seja, é ‘contra o homem’ e não contra o que ele disse.

Ivista débil: “Sou a favor de que Renato receba um milhão por mês. ”

Ivista hidrófobo: “Apenas um alienado como você poderia ser a favor dessa barbaridade”.

O hidrófobo não tenta refutar a ideia em si, o valor do salário do treinador, mas agride o débil chamando-o de alienado.

Há uma falácia que cria um requisito específico para que alguém seja isso ou aquilo e quem não o cumpre é excluído da tal condição. Por exemplo, o alemão, para ser alemão mesmo, tem que tomar e gostar de cerveja que não seja gelada.

Ivista hidrófobo: “Um verdadeiro gremista não exigiria um salário milionário para treinar o Grêmio. ”

Ivista débil: “Renato, além de ídolo, é um grande gremista e dizem que pedirá um milhão por mês. ”

Ivista hidrófobo: “Então, Renato não é gremista coisa nenhuma. ”

A falácia do exagero aponta sempre para o perigo de uma bola de neve alertando sobre um fato sem qualquer comprovação na realidade, estendendo um determinado comportamento, por exemplo, a toda uma categoria profissional do futebol.

Ivista hidrófobo: Se o Grêmio pagar um milhão para Renato, todos os treinadores que vierem para o RS vão querer o mesmo e, logo, logo, a dupla grenal vai virar um destino de treinadores caríssimos que levarão os clubes a se endividarem muito ou terão que contratar treinadores de segunda linha.

A esta altura já se pode criar até um substantivo coletivo para as ‘falácias’ utilizadas em programas de futebol no Texas-BR: gregugaú, em tributo às rádios de maior audiência da IVI.

O gregugaú nosso de cada dia ainda tem outras modalidades de falácias usadas incansavelmente nas tais mesas redondas de rádio.

É recorrente, entre outras, o apelo à ignorância. O ivista regurgita, por exemplo: “Renato até já recebeu da oposição do Flamengo minuta de contrato para analisar”. Como ninguém pode provar que existe ou não existe a tal minuta, não há como contestar a suposta informação.

No momento, atribuir a um todo aquilo que é característico apenas de uma parte também tem sido muito comum para tentar atingir Portaluppi: “Renato vai ter um salário muito alto, assim todo grande jogador do Grêmio também terá. ” Isto é, não há qualquer certeza de que se o treinador chegar a ganhar um milhão, os melhores jogadores de um clube receberão o mesmo.

Ou ainda, à disposição no arsenal de falácias da IVI há o contrário daquela, atribuir a uma parte aquilo que é do todo: “O Flamengo é o clube mais querido do Brasil, logo, lá, Renato será o treinador mais amado do país. ” Mas, como se sabe, não basta que um clube tenha a maior torcida nacional para que o seu treinador seja tão idolatrado quanto a instituição.

No entanto, como a grande especialidade da IVI é fazer raciocínios capciosos e difundi-los propositadamente, a matéria prima principal dos seus debates é o sofisma e todos os seus tipos.

Os sofismas são um ramo das falácias – algumas delas praticadas sem má-fé – que têm uma dose reforçada de peçonha, já que ocorrem de forma voluntária, com a intenção deliberada de enganar.

No momento, o grande sofisma empunhado pelos ivistas contra Renato é um falso dilema proposto para a torcida gremista:

“Você prefere Renato como treinador do Grêmio ganhando um milhão por mês e sonhando em voltar para o Rio ou outro treinador que ganhe bem menos e queira morar em Porto Alegre? ”

Ora, a IVI atormenta os torcedores gremistas como se não houvesse outras opções, como, por exemplo, Renato renovar por um valor menor e adiar o sonho de treinar o Flamengo pelo prazo de mais um contrato com o Imortal e mais uma taça Libertadores no currículo!

Mário Antonio

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