A PRAGA DA HIPOCRISIA

Defendemos até que se derrube a estátua erguida em sua homenagem em frente ao Beira-Rio.

A praga da hipocrisia militante vem causando estragos dantescos no Rio Grande onde, nas hostes da Imprensa Vermelha Isenta, a indignação seletiva é institucional. Naquele comportamento calhorda que lhes notabiliza, o erro é apenas o comportamento do outro lado. O mais novo exemplo é a declaração abjeta e asquerosa do Sr. Guerrinha no Sala de Redação, aquele vetusto programa que chafurda na própria mediocridade (do programa em si, capitaneado por Pedro Jabba, vilão de Tatooine e consumidor voraz de salmão, e dos participantes, que se esmeram na competição de abobado-mor da província). Lamentavelmente, aprendemos com os hipócritas do Sala de Redação que a diferença entre piada e machismo é o clube para qual torce aquele que disparou a sandice.

Enquanto esperamos que algum jornalista da IVI venha falar de Seijas encostado mas regiamente pago (o silêncio sepulcral sobre isso é impressionante), temos de lançar essa nota de repúdio às abjetas declarações de Guerrinha no programa de quinta-feira passada. É estarrecedor ver as declarações do Sr Guerrinha, demonstrando seu preconceito. Acaso a esposa e a mãe dele não são mulheres? Então elas também têm preço? Mais estarrecedor, porém, é ver que as reações indignadas no caso Peninha não se repetiram agora. Era hipocrisia, então? O Sr Guerrinha foi um pulha, misógino e leviano. Aliás, a discussão que estava acontecendo quando ele abriu a boca sobre isso já era totalmente fora de propósito, demonstrava que a caterva que se encontrava em torno da mesa, sob a omissão da mulher que participava, era uma coleção de tacanhos paleolíticos, já que comentavam sobre “façanhas e conquistas” de jornalistas e usavam mulheres como exemplo, inclusive comentando sobre algumas profissionais suas colegas, mencionando-as pelas “belezas”.

Quando peninha errou – e não há dúvidas de que errou – com sua declaração infelicíssima, foi execrado publicamente, sacrificado no altar da hipocrisia. Sim, ele errou, quanto a isso não há discussão. Poderíamos discutir sobre o grau do erro, do quão grave foi, mas foi erro e nós aqui do Hospício assim consideramos e repudiamos não só o ato em si, como, igualmente, repudiamos o uso partidário e clubista do evento. Da mesma forma, agora, repudiamos o ato em si de Guerrinha. Como repudiamos também, de maneira veemente, o silêncio cúmplice dos mesmos jornalistas e das mesmas profissionais que até campanha fizeram.

Pensemos, portanto, o que lhes moveu quando colocaram Peninha no colimador dos acontecimentos? Por que o Sr. Guerra também não está sendo – merecidamente – execrado pelos seus pares? Por que a mulher que o ouviu já não foi às redes? Por que não vimos campanhas? Esse texto está sendo escrito na sexta-feira, dia 18. À exceção de um tuíte de uma jornalista de outra emissora, não vimos qualquer reação de repúdio. Há um silêncio eloquente sobre esse caso. Infelizmente, então, conclui-se que as reações da imprensa no caso peninha foram pura hipocrisia e sentimento de isentos vermelhos anti-Grêmio (por mais errado que ele pudesse estar). O silêncio cúmplice e criminoso nesse caso do Guerrinha é a prova cabal disso!

Estamos lidando aqui com um tema extremamente polêmico e controverso. Chegamos mesmo a ousar um raciocínio. A jornalista que foi a interlocutora de peninha ofendeu-se porque ele falava com ela. Nesse caso, ela não reagiu porque Guerrinha estava sendo genérico e ela não se sentiu atingida, ele falava de outras mulheres. Isso, então, é ainda mais grave, caindo naquela categoria que Bertold Brecht bem definiu em seu poema Intertexto: o omisso, alguém que só age caso tenha interesses diretos. Ela foi uma engajada de conveniência no episódio pretérito. Pode até ser que ela reaja agora, tardiamente, ante a pressão das redes sociais, mas sua reação, se vier, estará maculada por um oportunismo malsão, pois seu silêncio de antanho mostrou qual era sua verdadeira cepa. . O que indagamos é a razão da reação só ter vindo para um caso. Por quê?

Um dos maiores perigos que a sociedade hoje enfrenta é deixar o mal se infiltrar pelas gretas do maniqueísmo, deixar que uma discussão necessária seja escurecida por cores partidárias ou clubísticas. Dois erros enormes. E o erro do Guerrinha não absolve o do Peninha. Todas as mulheres – e todas as pessoas – merecem respeito. E Adroaldo Guerra desrespeitou a todos: ouvintes e colegas. Nós, do Hospício, execramos essa atitude preconceituosa. Nós do Hospício achamos que o Sr. Guerrinha tem de ser punido. Defendemos até que se derrube a estátua erguida em sua homenagem em frente ao Beira-Rio.

Um comentário em “A PRAGA DA HIPOCRISIA

  • 18 de maio de 2018 em 15:47
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    Volódia, esperar o que de um ”jornaleiro” que violou e falsificou um email em PDF para ajudar o BBinter a virar a mesa pra ficar na Elite do Brasil e aos berros humilhou outro palhaço (Olivier) porque esse não tinha ”fontes” e jornaleiros precisam ter ”fontes seguras” dizendo que a dele era um tal de ”Rogério Maia” que era de uma banca de Advogados de Salvador-BA, amigo de Rogério Pastl Advogado do Inter, e que ele Guerrinha havia telefonado pro Fernandinho Beira Rio a 10 dias ”repassando” esse assunto.

    O caso foi tão esdrúxulo que o TAS, CAS, FIFA devolveram para a CBF e $TJD resolver, aí, a punição era multa máxima de R$ 100 mil mais rebaixamento de série e eles já estavam na ”B”. Pois é.

    Deve estar aí ”a razão” daquele rombo de R$ 9 milhões que agora está em R$ 18,2 milhões no Balanço vermelho deles que é o valor ”da cobertura de Torres”, pois ”comprar” um rebaixamento para escapar da série ”C” e ficar na série ”B”, deve ser bem baratinho, né !!!!! Pensem nisso.

    Depois deste episódio que está gravado no Sala de ”Red Ação” do dia 09/12/2016, o Guerrinha se calou e se acadelou totalmente, mas até a cadela preta dele sabe porque.

    Está à partir do 1h03m20s do Programa começando ”ainda” com Wianey Carlet no Link abaixo:

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