A POEIRA

É o que somos…

Fomos formados pelas ondas curtas refletidas no azul celeste, que chegavam numa localidade do interior do nordeste.
Enterramos o avô com a bandeira gremista, ouvindo as pessoas comentarem que achavam que ele era `brasiliano`…
E somos a poeira espalhada pelos ventos e aplausos na Baixada.
Somos o menino de um arrabalde que o pai levou no estádio para torcer para outro time, mas ganhou a camiseta de um jogador gremista e nunca mais a deixou.
Torcemos no sofá, sentados ou em pé na sala. Torcemos em horários e fusos horários estranhos. Torcemos como dá. Sozinhos, com a família ou com amigos estrangeiros. E comemoramos vitórias na rua gritando com a bandeira em um país onde as pessoas torcem por ciclismo ou curling.
Cantamos as músicas da torcida na frente do notebook, em meio a uma selva mais quente do que o largo do mercado público num meio-dia ensolarado de verão em Porto Alegre.
E somos a poeira soprada no mundo pelos gritos no Olímpico.
Ouvimos o Oliveski comentar a parada técnica por causa do calor sofrido pelos nossos atletas, olhando um glaciar azulado de 5 mil kilômetros de extensão em pleno mar do norte.
Discutimos com o vizinho gringo `de cassias` torcedor do adversário, no ônibus da empresa que nos leva para a fábrica de calçados numa cidade de nome impronunciável no oriente distante.
Comemos carneiro assado em uma tenda no deserto no site de construção de uma estrada, lendo os debates no twitter sobre Renato vs Cristiano Ronaldo.
E somos a poeira levada pelas solas que pisaram no barro seco do Humaita.
Somos gaúchos, ou não. Temos uma camiseta oficial, ou não. Somos sócios, ou não. Somos tão gremistas quanto qualquer um pode ser. E somos a poeira do Grêmio no mundo.

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