A NOSSA RICA HISTÓRIA – KUNZ E TAVARES PY

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Domingo passado começamos uma série a que hoje damos sequência: histórias de nossos jogadores do passado. Hoje escolhemos dois. Júlio Kunz Filho e Jorge Tavares Py. O primeiro foi goleiro e o segundo zagueiro. Jogaram juntos no Grêmio em 1918-1919. E por que os escolhemos? Porque os dois são clássicos exemplos de que a impaciência da torcida pode causar injustiças e isso não é de hoje. Tanto Kunz quanto Py saíram do Grêmio e foram jogar no futebol do Rio de Janeiro, o primeiro no Flamengo (e na seleção brasileira), onde brilhou, e o segundo no Fluminense, onde teve atuação discreta.

Kunz, nascido em Novo Hamburgo, jogava no Floriano, clube que já não mais existe e, em 1917, foi trazido para o Grêmio pelo presidente Oswaldo Siebel, estreando no Tricolor em maio de 1917. Se pegarmos os resultados do Grêmio em 1918, e o “lua-de-mel” terminou em 19 de maio de 1918, quando houve um Gre-nal em que perdemos por 5-3. E acabaram responsabilizando o goleiro pelo resultado. No entanto, das partidas disputadas aquele ano, só perderíamos essa em maio e duas outras em setembro e outubro (Brasil de Pelotas e Cruzeiro). Eram outros tempos, de vez que só disputamos 13 partidas naquele ano, entre abril e outubro. Era um goleiro seguro e extremamente disciplinado, com preparo físico que impressionava pela sua agilidade.

No entanto, 1919 seria decisivo. O Grêmio disputou 16 partidas e venceu 13. 1919 veria a conquista do Torneio Citadino de Porto Alegre, mas Kunz não veria o título porque já tinha deixado o Grêmio sob severas críticas. Há os que sustentam que houve desavenças políticas com o presidente Aurélio Py, mas isso é mera suposição. Lembrem que a época era outra e que, paralelamente, Kunz era comerciário e consta que houve problema com o patrão. O fato é que a torcida não tinha mais qualquer paciência e ele terminou por deixar o Grêmio.

Foi para o Rio de Janeiro, então. Com passagem rápida por um time que não mais existe, Silva Manoel, foi levado por um amigo para o Flamengo onde estreou em abril de 1920. E eis que se pode dizer que foi a época mais profícua de sua carreira. No Flamengo, ele conquistou duas vezes o Campeonato Carioca e venceu o Campeonato Sul-Americano de 1922 defendendo a Seleção Brasileira (o embrião da Copa América atual). Foi protagonista, também, de outro feito do futebol brasileiro: a excursão européia do hoje extinto clube Paulistano, de Arthur Friedenreich. Ficou conhecido nacional e internacionalmente (em razão do Sul-Americano e da excursão).

Há quem diga que se tivesse ficado no Grêmio, não teria sido chamado para defender o Brasil em 1922 no Torneio Sul-Americano. O fato é que ele raramente é lembrado como jogador do Grêmio, onde verdadeiramente ganhou corpo como arqueiro, mas é um ídolo do Flamengo. E embora seu auge tenha-se dado na equipe carioca, sempre dizia que devia tudo o que sabia ao período no Grêmio. Morreu cedo, em aos 40 anos, em Novo Hamburgo.

Outro jogador que também faleceu cedo e era contemporâneo de Kunz, o zagueiro Jorge Tavares Py, teve passagem vitoriosa pelo Grêmio, conquistando os torneios citadinos dos anos de 1919,1920, 1921, 1922 e 1923, bem como os campeonatos gaúchos de 1922 e 1923. Era filho do presidente Aurélio de Lima Py, tendo se juntado ao elenco justamente durante a primeira passagem do pai pela presidência do clube, e esse fato pode ter atrapalhado um pouco sua projeção, mas o fato é que o Zagueiro era bastante popular entre os gremistas de então, pela sua coragem e força física, lembrando muito o nosso Kannemann hoje em dia. Ao contrário de Kunz, ele sairia do Grêmio onde era popular e teve uma agitada carreira para um declínio no Fluminense.

Py jogou no Grêmio entre 1915 e 1925, disputando 147 partidas em dez aos, marcando quatorze golos. Tinha grande popularidade e, por exemplo, o jornal A Federação, rasgou-lhe elogios reiterados ao zagueiro na vitória de 3×0 sobre o Juventude, em 15 de junho de 1920. Curiosidade maior? Essa é a partida de estréia de Lara com o manto Tricolor. E o jornalista de então, em sua crônica, menciona que a “assistência aplaudia freneticamente” a cada vez que Py tocava na bola. Era um jogador maduro e com consistência, que muito honrou a camisa tricolor. É ainda das página do “A Federação” que se extrai que os jogadores do Fussball, então o nosso rival maior, tinham enorme respeito por Jorge Py. Pouco se sabe a razão verdadeira de sua saída, mas há registros que o Presidente Pibernat de Carvalho não queria a saída do jogador.

Py foi para o Fluminense onde atuou em 67 partidas entre 1926 e 1930, não tendo, porém, marcado pelo time carioca nem uma vez. Seu falecimento, de forma violenta, deu-se em 1930, em um desastre de trem na Serra Fluminense, em que foi esmagado no vagão em que viajava ao tentar auxiliar, quando a composição descarrilhava, acionando o freio de emergência.

Py é mais lembrado que Kunz na história tricolor, até porque atuou por dez anos no Grêmio e deixou sua marca nas redes adversárias do Tricolor algumas vezes. O interessante é que Py, de certa forma, abre uma extensa lista de jogadores da Defesa que foram ídolos em suas gerações.

Como dissemos antes, a história do Grêmio é muito rica e extensa. E nosso trabalho aqui no Hospício é resgatá-la e manter viva a memória Imortal. Afinal, somos loucos… pelo Grêmio.

Um comentário em “A NOSSA RICA HISTÓRIA – KUNZ E TAVARES PY

  • 27 de julho de 2018 em 17:56
    Permalink

    Opa, o Floriano ainda existe; mudou de nome; devido à Segunda Guerra Mundial; pela repressão aos de origem alemã. Antes era SC N. Hamburgo; depois Floriano; hoje hoje EC N. Hamburgo; campeão Gaúcho de 2017.
    Isto; e a história do Kunz e vários outros atletas e de diversos clubes gaúchos, consta no livro Futebol de N. Hamburgo e outras Histórias 1900-1942.
    Pelas notícias da época; Kunz morreu doente; em um hospital em S. José do Rio Pardo SP.
    E também consta que ele tenha iniciado no alviverde Esperança de Hamburgo Velho (licenciado ou extinto). Depois foi para o SC N. Hamburgo. Valeu.
    Gilson R. Warken

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