A NOSSA RICA HISTÓRIA – BERESI E GERMINARO

O Clube mais amado, democrático, sério, respeitado e plural do Sul do Brasil.

É o clube que mais torcedores têm nos três estados do Sul somados, que possui mais de 60% da torcida no Rio Grande do Sul e cuja torcida é a mais fanática do Brasil. Ao mesmo tempo em que é a mais fanática, é a mais perseguida e atacada. Só que hoje não falaremos de coisas desagradáveis, falaremos de histórias boas, de recordações da história do Grêmio, de coisas que muitos gremistas desconhecem como, por exemplo, o Grêmio foi o primeiro clube de fora do Rio de Janeiro a ganhar no Maracanã, foi o primeiro clube não argentino a ganhar uma partida na Bombonera, e por aí vai.

A idéia aqui é mostrar algumas curiosidades e fatos, trazer uma informação diferente, uma maneira lúdica de travarmos conhecimento com a memória tricolor.

Tudo no Grêmio é gigante, a começar pelo amor de sua imensa torcida. E o baú de memórias é incomensurável. Em 115 anos, é normal um acúmulo de histórias que até mesmo se vão esvaindo pelas gretas do tempo. E algumas pessoas e relatos terminam no esquecimento. É o caso de Moisés Beresi.

Beresi era argentino nascido em Rosário. Chegou ao Brasil em 1944 e foi jogar no Bonsucesso, no Rio de Janeiro. Chamou a atenção de um deputado gaúcho (gremista, evidentemente) na capital federal em uma partida entre o Bonsucesso e o Botafogo em que esse deputado acompanhava o presidente Getúlio Vargas, também gremista. Foi parar no Grêmio em 1945, onde rapidamente se entrosou no esquema e caiu nas graças da torcida tricolor. Era meia esquerda e foi importante no reencontro daquela equipe com a vitória. Era um líder dentro de campo, embora os registros da época deem conta que, fora dele, levava uma vida atribulada. Isso, porém, não o impediu de ser decisivo, em 1946, no campeonato gaúcho, disputado a partir de outubro daquele ano. Foi peça-chave na nossa reconquista do estado, tendo o Grêmio vencido a competição, retirando dos colorados a hegemonia que já durava quatorze anos.

Beresi saiu inexplicavelmente do Grêmio em princípios de 1948, indo jogar justamente no nosso rival e, curiosamente, lá não foi nem ídolo, nem brilhante. Teve uma passagem bem apagada, registre-se. Houve muita especulação sobre o que teria causado aquela saída repentina e não há qualquer explicação oficial. Especula-se que o rompimento tenha acontecido por uma briga entre o jogador e o presidente José Antônio Casa, presidente que só dirigiu o Grêmio por alguns meses.

Equipe Grêmio 1946 – Foto Via Grêmiopedia

Outro jogador que também já foi quase esquecido mas foi muito importante para o Tricolor foi o goleiro Salvador Ruben Germinaro, que chegou ao Grêmio em fins dos anos 50, contratado pelo presidente Ary Delgado. Tinha 27 anos quando desembarcou por aqui vindo do Platense. Antes, jogara também no Velez. Atuou no Grêmio entre 1957 e 1959, conquistando diversos títulos. Chamava muito a atenção porque gostava de usar um uniforme todo amarelo sendo que àquela época os goleiros tinham por hábito trajarem-se quase que unicamente de preto ou, no máximo, de outras cores fechadas e sóbrias. E chega a ser paradoxal as pessoas não mais se recordarem dele porque o arqueiro argentino foi nosso goleiro principal em uma época de ouro em que nossa equipe brilhou muito no Brasil e no exterior. Foi com Germinaro no gol que o Grêmio conquistou os campeonatos gaúchos de 1957, 1958 e 1959. Após uma partida memorável contra o Santos, em 1958, ganhou o apelido de Argentino Voador. O Grêmio, naquela oportunidade, ganhou do Santos de Pelé por 4×0, e a defesa nossa não foi vazada.

Germinaro, que se encaixava extremamente bem no time montado por Osvaldo Rolla, lendário técnico do nosso clube, ainda teria grande momento de glória em 1959, quando o Grêmio foi jogar contra o Boca Juniors em Buenos Aires. Foi uma partida emocionante em que o nosso goleiro fez quase milagres para conter o ensandecido ataque do Boca que de nada adiantou. Ganhamos por 4-1, partida em que nosso jogador Gessy foi o responsável pelos quatro gols.

Ruben Germinaro deixou o Grêmio em começos de 1960 e foi jogar no Huracán, na Argentina, mas deixou para trás a inacreditável marca de 112 jogos disputados pelo Grêmio em três anos. Salvador Ruben Germinaro ainda está vivo pelo que sabemos, mora em Buenos Aires.

Equipe Grêmio 1957 – Foto Via Grêmiopedia

São quase 115 anos de vida, são centenas de ídolos, milhões de torcedores apaixonados e é um dever nosso do Hospício de resgatar a memória de tantos jogadores e de tantos momentos especiais do Tricolor. A grandeza do Grêmio também está em sua história que é a história de todos nós. Afinal, os feitos da nossa história, canta o Rio Grande com amor!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: