A MELHOR DERROTA DE 2019

Capital nacional do futsal, líder per capita em consumo de Coca-Cola e uma das principais concorrentes a Capital nacional da garoa fina, Carlos Barbosa amanheceu no domingo exatamente assim: repercutindo futsal, arrematando os estoques de Coca-Cola e claro, com a inebriante garoa fina dos domingos de outono.
Pra nós Tricolores, porém, amanheceu um pouco diferente. Nada de festas de comunidade, tampouco o famigerado roteiro turístico da Maria-Fumaça. Apenas uma manhã atípica de estreia no Brasileirão. Digo atípica, pois jogo na Arena, no Outono Gaúcho, às 11h da manhã…me causa um cutuque de nostalgia lembrando das noitadas que virei, e como acordava no dia seguinte pra jogar antes do almoço, ou logo após, nos campeonatos de várzea de outrora.
Mas e sobre o jogo? Bem, no caso desse Grêmio x Santos, deixei por alguns instantes o pessimismo (talvez realismo misturado com indiferença) falar mais alto. Enquanto me dirigia à casa do sogro pra desossar uma costela (de graça), ouvi na rádio aquela o gol do “Sasha C***o”. E mais três ataques durante os menos de 10min jogados.
Ao chegar, tive duas opções: a tv da sala com o jogo ou o quiosque com churrasco e caipirinha. Admito que em boa parte do período optei pela opção 2. E explico.
Notei um Grêmio muito sonolento nos minutos em que acompanhei a partida. Quase em momento nenhum senti que venceríamos, e a equação é simples: falaram em “nó” do Sampaoli. Falácia ivista! O Santos entrou com três zagueiros, com o objetivo claro de conter uma possível marcação pressão nossa. No momento em que o Santos acha o gol, há uma breve retração, que só foi breve por conta da total incapacidade de ligar a chave no jogo por parte do Grêmio. Após o segundo gol, chances foram criadas, mas nada que justifique Renato falar em “partidaça” e “resultado injusto”. Bem pelo contrário, achei que o jogo se resumiu na frase do Renato antes do início: “a partida vai começar na hora em que eles costumam acordar”. É sintomático. Entendedores entenderam. Sampaoli, malandro que é, não falou. Aliás, nunca fala antes das partidas. Lhe dou razão. Mais ainda nesse caso.
Por outro lado, e é aí que eu queria chegar, existe um lado excelente nessa derrota, e esse lado não faz divisa com o território tupiniquim: Universidad Católica! Vejo esses times muito espelhados em suas metodologias de jogo, e talvez essa derrota seja o aviso que faltava. Depender de um empate nesse jogo é uma coisa, entrar com sono e buscando o empate, ou até mesmo achando que a vitória virá ao natural a qualquer momento, pode jogar no lixo duas partidas impecáveis que reacenderam a chama da esperança no Tetra América.
Não tenho a Libertadores como obsessão. Quero o Brasileirão, e não abro mão dessa convicção. Mas pra beliscar uma Libertadores, é preciso chegar às oitavas de final, e isso passa pela última partida, exatamente contra a Católica.
Sampaoli nos deu a letra: na batalha de um time ligado no 220W contra outro com duas pilhas AA, sempre prevalecerá o de maior intensidade. Deixar três pontos escaparem na Arena foi o menos importante fato do domingo. Sei que meu otimismo é insano, mas considero que foi a melhor derrota de 2019.
Contra a Católica, já sabemos como não devemos jogar. E no Brasileirão, apesar do revés, ainda restam 37 rodadas.
A temporada finalmente começou. E por paradoxal que pareça, começou com uma luz dos deuses do futebol. A luz azul em meio à garoa fina da longínqua Carlos Barbosa, a qual eu mesmo faço questão de conceder o título de capital serrana dos otimistas quando o assunto é Grêmio.
Renato já sabe o que fazer, e também o que não fazer.
Não são os chilenos na última rodada, é uma temporada inteira que precisa de ajustes. Que bom que isso veio em tempo. Pois sinceramente, um certo oba-oba por outras bandas me passa a impressão de que uma maionese vai desandar aqui no Sul. Mas deixemos essa culinária pra quem entende do assunto. Literalmente.

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