A Hipocrisia Vermelha

“Que tá faltando emprego no Planeta dos Macacos, nanana banana, nanananana banana. Nanana banana, nanananana banana…”

Olhei para o lado e os loucos tudo cantando aqui na cozinha, com o som chiado do meu portátil seis pilhas grandes sintonizado na Caiçara. Daí lembrei de uma hipocrisia tamanha que habita na aldeia. Sabidamente, a comparação do símio para com o torcedor alvirrubro se dá ABSOLUTAMENTE por dois motivos: ainda na era Eucaliptos, torcedores subiam nas árvores da região para olhar as partidas dentro do estádio. Ficavam ‘trepados’ nos galhos. Daí o apelido. Além disso, as imitações desde seu surgimento, em 1909, fizeram deles, o Rei de Cópias. O fato de falar sobre isso agora vem do fato de quererem afirmar que o Grêmio é uma instituição preconceituosa, mas logo após a final do Mundial de Clubes, lançarem um meme nas Redes Sociais dizendo que ‘O Planeta não acabou porque é dos Macacos’. Ora, se intitulam com tal alcunha e, se ouvem o canto com a expressão talhada, viram os ‘coitadinhos’.

Imagem da Internet
Imagem da Internet

Bom frisar que racismo é crime inafiançável. Injúria racial é crime de menor potencial, mas também TEM QUE SER punido. Só não venham com a apelação de preconceito em cima de algo que vem de outras épocas e NADA tem a ver com isto. Aliás, documentos no Memorial Hermínio Bittencourt, no saudoso Velho Casarão, falavam do Antunes, negro, que chegou ao Clube em 1913. Depois veio Adão Lima (1926/35), Laxixa (1937/40) e outros. O próprio Eurico Lara estava longe de ser o padrão europeu, propagado por uns como sendo regra no Tricolor. A bem da verdade, o estatuto que também diziam ter algo, NUNCA afirmou tal fato. Pelo contrário, proibia discriminação por cor e crença. Ou seja, desde nosso início sempre fomos Azuis, Pretos e Brancos. Salve, Lupi. Salve, Everaldo. Salve o verdadeiro time de todos. Que teve a primeira torcida gay no Brasil (isso é assunto para outro texto, talvez).

Apenas não comparem nós a eles. Somos superiores, não pelo que tentaram plantar de alemães arianos e puros, que isso é repugnante. Somos superiores pela essência de sermos todos iguais, termos mais taças no armário e história para contar. E se no Grenal a macacada for chorar novamente, com baile de cinco ou o que for, saibam que no próprio Beira-Rio tem um ‘mascote’ primata, cujo nome é ‘Escurinho’ e uma torcida denominada MA.CA.CO (Massa Cachaceira Colorada). Jamais admitirei atitude ignóbil aqui no Hospício. Sou veementemente contra qualquer tipo de preconceito. Mas também não tolero injustiças.

Se o Planeta não acabou, até deve ser melhor, porque será a chance de buscarmos o Tetra ano que vem, afinal, no RS, só um Clube tem três taças Libertadores para tentar a quarta. Passem bem!!

“Rapazeada sambando, xingando, rodando na pista…”

 

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