A ÉTICA SELETIVA OU A FALTA DE ÉTICA PERENE

É aquela velha máxima: um colorado não pode ver uma vergonha que logo a quer passar.

Algumas questões específicas não dizem respeito a ninguém, salvo aos próprios envolvidos. Isso é certo. No entanto, a imprensa gaúcha esportiva foi a primeira a, em relação a alguns jogadores do Grêmio, levá-las a público, como no caso dos problemas familiares do Lincoln. Em outros casos, essa mesma imprensa inventou ou, ainda, deu azo a uma série de boatos, ampliando-os, conforme o caso, sendo mesquinha e leviana, como aconteceu no caso do Miller. “Jornalistas tarimbados” tuitaram excrescências e, em público, fizeram comentários desrespeitosos e pouco éticos. Pegos, invocaram “um evento privado”. No entanto, esse vídeo circulou nas redes sociais. Houve, também, uns áudios sem origem que circularam contendo um falso testemunho de “Roger”. Era, na verdade, um taxista imitando o então treinador que acabara de deixar o Grêmio. A esse áudio, manifestamente falso, foi dado amplo crédito em rádios e jornais de todas as facções da IVI. Em nenhum momento prestou-se atenção à ética.

Subitamente, porém, a IVI tornou-se ferrenha defensora da deontologia. E quando se deu tão fantástica transformação? Justamente quando o caso passou a afetar o capitão do coração deles, o pequeno garnisé chiliquento que, subitamente, sumiu de Porto Alegre indo para a Argentina para “resolver questões particulares”. E aí a coisa transformou-se. Ao contrário do que acontecia em outros casos, nenhum jornalista veio “devanear” sobre o que acontecia com o jogador ou que tipo de problemas eram esses. Surgiu um áudio que falava de uma suposta traição – ou de uma substituição não desejada no foro doméstico – e nem uma piadinha saiu dos microfones outrora tão pouco ciosos. Ao contrário, os jornalistas abespinharam-se e começaram a inventar regras e bloquear leitores que faziam piadas. Alguns foram mais longe: ameaçaram de processo e disseram que estavam colecionando prints. Que imprensa tão diligente!

Hoje veio mais uma pérola. O indigitado jogador reapareceu à porta de uma delegacia de polícia. E apressadamente um arremedo de jornalista correu a deitar falação nas redes a dizer que o dito “atleta” teria ido “prestar queixa” e que “mais de vinte pessoas” seriam ouvidas. Estava triunfante! Soaram as trombetas da vingança. Foi assim que agiu. Ledo engano e baita tiro no pé, porém, até porque a galhofa que havia arrefecido nos últimos dias recrudesceu e reganhou força total, novamente se tornando o pequeno jogador alvo de mais umas quantas piadas. Agora com direito a atestado policial de sua condição de calcificação óssea anômala. É aquela velha máxima: um colorado não pode ver uma vergonha que logo a quer passar. E só mais uma coisa: a prova de um suposto crime de injúria é muito difícil, até porque a questão é meramente uma brincadeira nas redes sociais. Tratar como caso de polícia mostra o desespero e o despreparo da mídia, do clube, do jogador e de quem o assessora.

E por que estamos escrevendo esse rápido comentário sobre isso? Para que os amigos vejam a moral seletiva e indignada de circunstância da IVI. Esse comportamento maniqueísta isento vermelho não merece mais que opróbrio. Essa é a IVI que, além de só ser defensora de uma moral dúbia e vermelha, é, sobretudo, inimiga do Grêmio. Vacinem-se!

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