5 opiniões sobre esporte que ofendem um grande número de pessoas

Um dos motivos que faz com que gostemos de falar sobre esportes é que se pode debater eternamente, mas todos entendem que não é um assunto tão importante para que alguém fique muito ofendido ou prejudique as amizades.

Claro, se você vestir a camiseta do time vermelho em um ônibus lotado de tricolores indo para um jogo na Arena, pode estar se colocando em uma situação de risco. Mas geralmente as pessoas civilizadas podem ouvir tranquilamente opiniões contrárias sobre assuntos esportivos, sem se irritarem como quando se fala em política ou religião.

Apesar disto o torcedor é um ser emocional, muitas vezes fortemente apegado aos seus times, jogadores e cores. Eles ocasionalmente podem se revoltar, destruindo tudo a sua volta. E certo tipo de opinião tem um potencial ofensivo maior que outras.

O que se segue são cinco das minhas opiniões sobre futebol que provavelmente ofendem a maioria das pessoas. No mínimo ao menos em parte. Eu tentei suavizar parcialmente e ter um pouco de tato ao expressá-las no entanto.

Mas me sinto confiante que a maioria, ao ler meus comentários, sentirão em algum momento a vontade de rilhar os dentes, sacudir a cabeça em desagrado e perguntar “Quem este idiota pensa que é??”

1. Camisa do clube cor-de-rosa

ABOMINAÇÃO, substantivo feminino, coisa abominável, execrável, repulsiva. Esta é a palavra e a definição perfeita para descrever meu sentimento quando vejo aquela camisa do Grêmio em rosa.

Para mim representa o embarque do clube no trem de um pseudo-fashion, hipster, guria de shopping, estilo de viver. É feita para gurias que querem se sentir “enturmadas” com o namorado e os amigos dele enquanto assistem o jogo e ainda “se sentirem gatinhas”.

É uma peça fashion em primeiro lugar, e só depois de um apoio casual e eventual ao clube.

Claro que neste ponto muitas mulheres estarão gritando que são gremistas-raiz desde pequenas e adoram suas camisas rosa. É da luta contra o câncer!

Para estas senhoras e senhoritas, eu responderia que não questiono sua sinceridade, mas seu bom-senso. Se você é uma torcedora real por direitos próprios e não apenas “na onda” dos irmãos, namorado ou amigos, deveria realmente pensar melhor. Luta contra o câncer possui símbolo e camiseta própria.

Um dos maiores prazeres de ser torcedor de um clube é receber e participar da continuação de uma tradição. E a tradição do time gremista é uma das mais ricas do mundo! O uniforme é símbolo disto, temporada após temporada, de geração em geração.

A camiseta do Grêmio possui três cores: Azul, preto e branco. Qualquer outra coisa é marketing barato.

2. Gremista é tudo igual, mas o sócio é gremista e mais

Existe esta discussão por ai, com gente querendo se dizer mais e melhor gremista diante de outros. Discutem se contribuem deste ou daquele jeito, se torcem em pé ou sentados, se acompanham o time viajando, etc. Cada qual tenta valorizar o que faz e desmerecer o que o outro faz, para sair com o título de maior gremista.

Procurem em qualquer rede social agora e a encontrarão, porque este debate nunca morre. E se morre, logo renasce.

Pois para mim é um debate sem sentido, eis que ser gremista é um sentimento íntimo. É como uma dor e um amor, não tem como comparar com o que os outros estão sentindo. Todo gremista, neste particular, é tão gremista como o próximo.

Questão mais importante para mim e, onde sim existe diferença, é relativo ao torcedor comum e o sócio do clube.

Apesar de ambos serem igualmente gremistas, o não-sócio é um torcedor cuja responsabilidade gira somente em torno do time. Pode até se preocupar com coisas do clube, na medida em que repercutem no time.

Mas o sócio chama para si a responsabilidade, muitas vezes desprendida do time. O sócio é responsável pela política e pelo sustento do clube. Possui direitos e obrigações definidas no estatuto e regulamentos, portanto, é mais que um tocedor do time.

3. Torcedor organizado é chato

É bonita a torcida organizada, ao menos a gremista. Trapos, bandeirolas, fumaça colorida, canções e coreografias. Acompanham o time longe, e até em jogo de botão.

Claro que já fizeram muita porcaria, como brigas, depredação, esconder drogas em instrumentos da banda… mas concedo que estão mais civilizados atualmente. Bem mais!

O problema é que desviaram o potencial de M para as redes sociais… não passa 5 minutos sem que um chato de torcida organizada venha com:
1. Torcedor é “nois que tá em pé, vocês “fica” em casa sentado no sofá”;
2. Por que o Grêmio não libera a avalanche, “sai” do TAC, isso ou aquilo da arquibancada norte…
3. Qualquer outra coisa que a direção da organizada pautar no dia.

E tudo já foi explicado e debatido até a exaustão. Não adianta, no próximo dia lá estarão repetindo tudo.

4. Rivalidade é só a da dupla Grenal

As pessoas acham bonito ter rivais no esporte. As rivalidades viraram desejáveis, do ponto de vista mercadológico. E logo as pessoas começaram a criar e repetir suas criações sobre rivalidades em todos esportes.

Mas vou colocar a questão mais próximo da aldeia e deixar que vocês depois examinem mundo afora.

Rivalidade tem que ser histórica. Por consequência se elimina aquelas onde os times não são próximos geograficamente, eis que a globalização é fato recente. Estas “rivalidades” longínquas são como namoros a distância, vão enfraquecendo até sumir, como Grêmio vs Palmeiras nos anos 90 ou Internacional vs Corinthians mais recentemente.

A rivalidade tem que ser monogâmica. Não se admite que o rival divida a dedicação contra diversos adversários simultaneamente, porque enfraquece o sentimento e impossibilita aquela atenção minuciosa necessária ao escrutínio do objeto de sua desafeição. Exemplos são as rivalidades aguadas entre os clubes de SP ou RJ. São adversários, mas não rivais. Até mesmo negociam jogadores entre si.

A rivalidade tem que ser entre clubes de grandeza assemelhada e torcida de tamanhos próximos, admitidas pequenas flutuações. Por exemplo a proto-rivalidade mineira. Sim, pode se tornar um dia uma verdadeira rivalidade, mas ainda falta a tradição de gerações. Isto porque a torcida e a relevância do Cruzeiro apenas emparelhou com o Galo nas últimas décadas. Persistindo, teremos uma rivalidade digna de nota.

Tem que ser relevante. Ou seja, ninguém se importa com rivalidade de clubes ridículos como os de Pelotas, ou de Campinas. Simplesmente assim.

Portanto, no Brasil, a única rivalidade digna deste nome é a da dupla Grenal.

É aquela rivalidade que sempre está na frente dos olhos do torcedor. É a rivalidade que infecta até jogadores/torcedores que nasceram em outros estados. Exemplo é do paulista Luan que, no momento de sua maior glória ao conquistar o tri da América, provocou o rival Sasha que se encontrava esquecido na segundona. Isto é rivalidade, é a alienação mental absoluta do mundo real para existir num mundo paralelo, onde só há dois atores, em constante desequilíbrio. O resto é poser.

5. Os únicos torcedores que eu considero legítimos automaticamente são os hereditários ou os do local do clube

OK, esta é a opinião onde eu subo o tom da arrogância e faço o rosto de alguns caras ficarem vermelhos de raiva. Na minha opinião, uma grande parte de torcedores atualmente são mais falsos do que a mini-libertadores do Pottker.

No meu universo esportivo mental limitado, você não escolhe seu time, você herda, por coincidência geográfica ou circunstância familiar. Tudo mais é pegar carona em modismo.

Para mim pessoas que ficam escolhendo o próprio time sem qualquer justificativa hereditária é outro sintoma da era narcisistica e obcecada por mídia em que vivemos.

Ao invés de assumir quem você seria destinado a ser, por exemplo um torcedor do Coxa ou do Sport, digamos, o sujeito cria um mundo de fantasia de quem gostaria de ser: um catalão torcedor do Barça ou um parisience fã do PSG.

Ao invés de agir honestamente e aprender a apreciar a nobre, apesar de singela, tradição do Botafogo ou Sport, tenta entrar de imigrante ilegal na nação alemã do Borússia.

Com a quantidade de transmissão televisivas de futebol de todo Brasil, não limito a questão hereditária ao estado ou cidade, e admito que um nordestino seja gremista, e um catarinense seja flamengo, afinal estamos inceridos na mesma cultura, idioma e etc (claro, desde que permaneça fiel ao seu clube sempre).

Mas quando você encontra aqui nos Estados Unidos um piá de 20 e poucos que me reconhece como gremista e puxa conversa comigo sobre como cresceu em Tallahassee e é torcedor do Grêmio desde o ensino médio onde era capitão do time de soccer, eu posso até sorrir e ser agradável se a pessoa demonstra entender o suficiente de futebol para manter uma conversa casual.

Se eu tiver tomado uma ou duas cervejas, posso até brindar a pessoa com alguma história de quando defendi um certo jogador do Grêmio em uma audiência em Canela e passamos um migué no juiz, ou quando o primo da minha mãe trabalhava na churrascaria mosqueteiro e me arrumava uma cadeira junto dos jogadores como Valdo, Alfinete e outros. Eu nem vou ser presunçoso e explicar para ele quem foram Valdo e Alfinete!

Mas no fundo da minha mente, em segredo, estarei pensando, cara…, você não é realmente um torcedor gremista!

5 comentários em “5 opiniões sobre esporte que ofendem um grande número de pessoas

  • 14 de fevereiro de 2018 em 16:26
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    Cara, cagou pela boca. Sou gremista, mas tô parando de seguir o blog por casa desse texto.
    Lamentável.

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    • 15 de fevereiro de 2018 em 17:18
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      Baaaahhhhh….Vamos dormir na pia agora…Muito preocupados que estamos…

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  • 15 de fevereiro de 2018 em 13:09
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    Pô, Gringo Velho, dessa vez tu foi mal, pois aí não tem coisa com coisa.

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    • 15 de fevereiro de 2018 em 17:02
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      Foi erro na dosagem dos remédios. Temos que cobrar da Tia Anastácia kkkk

      Resposta

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